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E-Boys meninos
& gays
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| Cinco
anos depois...
Reflexões e lembranças de um E-jovem feliz Erik Galdino
Quando somos adolescentes - quase sempre - não temos discernimento para avaliar nossas atitudes e pensar sobre as ações que tomamos cotidianamente e muitas vezes um passo mal dado pode colocar em risco toda uma trajetória que poderia ser de sucesso. Hoje, pouco mais de cinco anos depois de conhecer o Grupo E-Jovem, faço essa análise. Conheci grupos de adolescentes gays na internet por volta de 99. Na época, o precursor Pagla (Projeto de Apoio a Gays e Lésbicas Adolescentes) era vedete do momento. Conheci o grupo através do site Mix Brasil e me cadastrei no grupo de 13 a 17 anos. Todos os dias eram dezenas de e-mails. O povo se encontrava, faziam churrascos, iam ao Playcenter, viajavam - mas eu não tinha coragem de me integrar àquele grupo. Não me sentia apto a estar com ele, parecia que todos viviam em outra dimensão, em algum plano evoluído ao meu. Por diversas questões que não cabem neste espaço o grupo se desfez e minha necessidade em continuar a manter contato, ainda que passivamente, com outros jovens que estavam na mesma condição que eu era inevitável, então voltei ao mesmo site, o Mix, e lá conheci o E-jovem. Nessa ocasião eu já estava com 17 anos, chegando à maioridade e minha única referência sobre mundo gay era um ex-namorado. Cheguei ao E-jovem com outro espírito. A sensação da maioridade, que estava próxima, me dava certa segurança – hoje percebo que não havia segurança alguma – em assumir minha identidade e então entrei com tudo, fazendo uma gigante apresentação. Neste momento já havia começado freqüentar clubes gays, com um amigo – o Gabriel – que conheci em uma sala de bate papo. Com ele fui a algumas boates do centro de São Paulo, fui em cinemão e passei a freqüentar semanalmente a boate Tunnel. Quando comecei a interagir com outras pessoas do grupo percebi que deveria ter feito aquilo antes, eles estavam anos-luz de mim. Já namoravam, se conheciam, saiam e faziam de tudo juntos. Eu estava apenas chegando. Mas minha chegada foi triunfal, sem ser pretensioso. Logo comecei agitar a lista, mandava mais de 30 e-mails por dia, marquei encontro entre os membros e lá ia eu. O Bebê Axezeiro. Assim eu assinava meus e-mails. Aliás, era Super Bebê Axezeiro. Escrevia sempre em letras grafais, negrito e vermelho. Para chocar. Alguns dizem que minha tipologia foi marcante. Depois de pouco tempo fui convidado a escrever um artigo para o site. Era carnaval de 2002. O tema era bunda! Sim, um tema bem interessante, né?! (rs). O texto foi publicado no site, depois de vários e-mails trocados com o Deco, editor e fundador do site e grupo, afinal eu não tinha muito traquejo em escrever, mas tinha talento. Esse processo foi gradual e aos poucos comecei fazer outras coisas, como ações de conscientização e afins e então fui reconhecido através do prêmio E-Jovem que Faz. Durante o Gay Day de 2002, em um evento paralelo com cerca de 60 jovens gays e lésbicas, fui premiado pelo site. Pouco depois acabei me desligando
do grupo e fui cantar em outros terreiros. Junto com alguns amigos começamos
a promover encontros
gays no shopping Santa Cruz, fui personagem, falando
Ainda em 2003 passei assinar colunas em diversos sites gays como Casa da Maitê, GLS Site, tive artigo publicado no Mix Brasil – um texto que falava sobre impotência sexual em jovens - e em outros sites. Foi quando o autor e ativista Fabrício Viana me convidou para integrar um grupo de onze pessoas a fim de fundar o site Armário X, com objetivo de mostrar o lado positivo de estar fora do armário. Abracei a causa e partimos para empreitada até o lançamento do site, em meados do mesmo ano. Em outubro de 2003 fui trabalhar no Mix Brasil. O site onde tudo havia começado para mim. Estava eu lá, do outro lado da bancada. Trabalhando no Mix conheci um outro lado da cultura gay e passei a ter uma proximidade maior das pessoas envolvidas com a causa. Fui entrevistado pelo psicólogo Jairo Bouer em um programa para o Canal Futura, pelo Fabrício Viana, sobre minhas atuações ativistas. Trabalhando no Mix viajei para mais de 20 Paradas Gays pelo Brasil todo. Conheci clubes gays de norte a sul do país, até matérias sobre noite gay de outros países já escrevi. Estão todas lá, basta procurar. Em 2006 também passei atuar como assessor de imprensa da Blue Space, um dos clubes gays mais antigos de São Paulo. Com o trabalho vieram conquistas
materiais e hoje, exatamente hoje, faz dois anos e oito meses que conquistei
meu espaço e independência financeira. Saí da casa
dos meus pais, onde tive muitos
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Antiga coluna E-Blog, do Kid Dudu
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