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ara, eu nunca fiquei tão tocado por uma foto como a da mãe na parada gay com o cartaz de apoio ao filho...talvez seja besteira para quem tem uma mãe tranqüila, "liberal", mas pra quem tem uma família hiper conservadora como a minha e nem sonha na aceitação dos pais, e está até conformado com o fato de ter que se virar sozinho e enfrentar o preconceito de toda a sociedade sem o apoio fundamental que é o da família, é uma imagem realmente linda. Se minha mãe soubesse como ela me faria feliz com uma atitude semelhante, com certeza iria a ter, porém ela é convicta, pela criação, pela religião dela, que me prendendo, me podando e me impedindo de ter meus amigos está fazendo um bem pra mim. Tomara que mais pessoas tenham acesso a esse site! Tentem fazer uma divulgação maior, não só no meio gay. As pessoas precisam saber quem somos realmente e o que queremos de fato! Um abraço. Gustavo
- 17a
Rio de Janeiro |
empre achei que era um absurdo os pais não compreenderem a opção sexual dos seus filhos. Sou bissexual. Tive sorte de ter a mãe que tenho, pois quando contei a ela, eu ainda estava namorando uma garota e ela não compreendia o porque de eu ter esta opção sem ser afeminado, sem ter trejeitos ou coisa do tipo! Eu compreendi e expliquei que ela fazia parte da grande maioria das pessoas que confundem sexualidade com estereótipos! Não preciso ser afeminado ou ter trejeitos pra gostar de homens também. Ela demorou um pouco mas compreendeu e hoje conversamos bastante. Já meu pai e o resto da família ainda não sabem, pois pra eles sei que será mais difícil. Os condeno por isso? Não! Sabe porque? Pois me coloquei no lugar deles! E se eu fosse hetero, tivesse minha namorada e minha irmã chegasse e me falasse que era lésbica e que começaria a trazer sua namorada pra casa e a beijaria na minha frente. Nossa cara, é difícil! Fomos criados dentro de uma cultura machista e arcaica, e é muito difícil quebrar tabus que a sociedade faz com que construímos dentro da gente. Além de ser um choque, o que mais me preocuparia é como a sociedade iria tratar minha irmã se ela por ventura viesse me dizer que era lésbica. Ficaria preocupado com ele o tempo todo, de como o resto da família e meus amigos iriam reagir... às vezes o problema não é nem com a gente e com nossa família mesmo, e sim, com o que nos rodeia! Portanto, antes de criticar sua família, amigos ou quem quer que seja porque não aceitam sua opção sexual, se coloque um pouco no lugar deles e pare de achar que você é o centro do mundo! Christian
Zanatta
Florianópolis - SC |
lá pessoal!! Primeiramente gostaria de me apresentar, me chamo Raphael Klein, acabei de completar meus 18 anos e moro em Vila Velha no ES, curso comunicação Social e sou homossexual assumido desde fevereiro de 2001. Nos dias de hoje ainda é muito difícil quebrar um tabu imposto por essa sociedade hipócrita que determina os atos dos seres inseridos de acordo com os seu preceitos. Não se opta ser Homossexual, nasce-se Homossexual, não pedi pra nascer gay, mas se nasci...o que posso fazer? Me esconder? Viver uma vida infeliz mas de acordo com o que os outros pensam? Se você pensa assim, parabéns você é um fracassado. Não faço parte de nenhum grupo, organização ou coisa desse tipo, apenas sei lutar pelos meus direitos, não deixo com que me pisem como se eu fosse a escória da humanidade, e se você se cala, só mostra ser um fraco diante desse sistema fútil e preconceituoso que é o mundo em que vivemos. Mas também não saio por aí dizendo a Deus e ao mundo que sou gay, ninguém precisa saber, preservo-me às vezes justamente pela minha família. Tenho um irmão mais novo, meus avós ainda são vivos, de 28 netos sou o mais velho dos homens. Meu pai nasceu no interior e foi criado de acordo com a mente machista social passada pelo meu avô, minha mãe nasceu na cidade do Rio de Janeiro, foi criada no meio de uma família de 4 irmãos na qual o irmão mais velho dela, meu tio, também é homossexual assumido. Meus pais somente meus pais, meu irmão e alguns amigos sabem da minha preferência sexual. Contei a eles quando tinha somente 17 anos, contei sobre uma pressão que me levou a pensar mais tarde que não havia feito a coisa certa, não no momento certo. Eu fazia cursinho à noite, e pela tarde um colega meu havia me telefonado para matarmos aula no shopping. Saí pontualmente às 18:00 com destino ao colégio de onde eu sairia pelo outro portão e iria para outra cidade. Cheguei em casa normalmente, um pouco atrasado, abri a porta da sala e me deparei com meus pais no sofá na sala me esperando. Meu pai se levantou e perguntou onde eu havia estado, respondi que na escola, afim de que eles não saberiam se eu estaria mentindo ou não, achava eu, mas por ironia do destino talvez, meu pai pela primeira vez na vida havia passado pra me buscar no colégio, o coordenador que era seu amigo disse que eu não havia comparecido no colégio aquela noite, então meu pai sentou-se e me fez confessar o que estava acontecendo comigo, chorando, desesperado contei, pensei que iria morrer de tanto desespero, lembro-me claramente das feições dos rostos dos meus pais, haviam lágrimas em seus olhos e eu sem saber o que fazer confessei, por impulso, foi péssimo, disseram que não conseguiam entender, não podiam acreditar, mas a noite se encerrou com minha mãe dizendo que não concordava, mas o que ela poderia fazer? Se sou assim, ninguém vai mudar isso. Fomos dormir, digo, tentar dormir, do meu quarto eu ouvia o choro do meu pai, não conseguir pregar no sono, somente de manhã quando o sol já estava nascendo consegui dormir um pouco. As primeiras semanas foram péssimas, ninguém tocava no assunto, ninguém se olhava, no almoço só se ouvia o trincar dos talheres, a mastigação, parecia estar tudo mais perceptivo em mim. Sem explicações meu pai cortou o telefone do meu quarto, cancelou a internet, arranjava programas para a semana inteira afim de me afastar da minha turma de amigos gays. Fiquei um bom tempo afastado, aos poucos fui mentindo para poder sair, pra poder namorar, pra poder viver. Eu precisava contar pra alguém agora que meus pais sabiam, precisava desabafar, foi então que no próprio cursinho fiz amizade com uma garota que me contou que tinha muitos amigos gays, cheguei pra ela e contei, ela aceitou numa boa, foi então que pela primeira vez eu percebi que meus pais podiam ser diferentes também. As coisas foram melhorando em casa, saia sempre com minha mãe, religaram a internet, o meu telefone, eu já podia sair com meus amigos, sempre andava com eles, e nesse tempo minha lista de amizades foi crescendo. Hoje minha relação ainda não está 100% boa, mas sou feliz, passei pelo que passei, passaria denovo se fosse necessário, afinal busco a minha felicidade, nem Jesus agradou todo mundo, por que haveria eu de ter a pretensão de ter uma vida 100% feita de felicidade? Torço por todos aqueles que sentem a vontade de se revelar pras sua famílias e, torço também que juntos, juntos com nossas famílias possamos mudar essa sociedade preconceituosa e cheia de falhas, que excluem minorias e o que eles julgam errado. Um grande abraço e até a próxima. Raphael
Klein - 18a
Vila Velha - ES |
ê, aqui quem fala é o Flávio. Só falo o meu primeiro nome porque infelizmente ainda estou trancado nesse horrível armário, mas não dou mais de um ano e meio pra sair não. Bem, tenho 17 anos e só escrevo pra deixar aqui meu recado de que não é só você, meu amigo, que passa por tantas dificuldades. Todos nós passamos e ficamos trancados por muito tempo na pior das prisões: A Farsa. Digo isso porque temos sempre que fingir sermos quem não somos, e o pior de tudo é que isso acontece na nossa adolescência, a fase da nossa vida em que nós deveríamos estar aproveitando o máximo. As pessoas vêm criticar a gente, mas elas não sabem como é ruim ter que esconder um dos mais importantes aspectos da nossa personalidade. Li o mail do Japa 17, por exemplo, e acho que uma família tradicional deve ser o pior obstáculo para que a gente possa ter uma vida tranqüila depois de assumido, porque por mais que eles falem que está tudo bem, percebemos na cara deles o ar de decepção (pelo menos é isso que eu acho que deve ser). Meus pais se dividem, porque enquanto eu tenho certeza que meu pai vai aceitar numa boa, sei que minha mãe vai pirar. Dizem que é pior ainda quando a pessoa não dá pinta, como é o meu caso; dizem que o choque é ainda maior. Então não sei se é um alívio não dar pinta ou se é algo que vai explodir depois de algum tempo. Por fim, acho também que nós
mesmos devemos parar de ter preconceito contra os mais "afeminados", além
de qualquer outro tipo de preconceito. Nós somos uma das parcelas
que mais sofre preconceito nessa sociedade, senão a que mais sofre,
e é a coisa mais estúpida a gente querer se afirmar com outro
preconceito, seja ele sexual, étnico, religioso (este último
é o mais difícil) ou o que quer que seja. Quem é oprimido
deve sempre lutar com todas as armas possíveis, menos com a própria
opressão, senão provamos que não somos melhores que
nenhum deles.
Quem quiser me escrever, por favor, mande um e-mail pelo link abaixo que a gente discute qualquer coisa, nem precisa ser só homossexualismo. Um abraço, e parabéns pelo site, que tá muito louco mesmo! Falow!!!!!! Flávio
– 17 anos
São Paulo / SP |
A vida de um gay efeminado não é fácil, nem na família e muitos menos na escola, todo dia eu apanhava na escola dos garotos, fora as piadinhas. Eu já nasci gay porque desde criança eu sempre gostei de homens e sempre fui efeminado. Nunca tive relacionamentos com mulheres, sempre foi com homens. Bom o ano passado, exatamente 22 de julho de 2001 eu resolvi contar pra minha mãe... A reação foi umas das piores que já podia ter. Ela me xingou de todos os nomes que vocês possam imaginar...discutimos muito naquela noite e depois eu fui dormir. No dia seguinte mais uma discussão, e esse dia foi mais pesado ainda porque ela falou uma frase que me machucou muito, que eu nunca vou esquecer: ''EU PREFIRO UM FILHO DROGADO DO QUE UM GAY". Vocês não sabem o que é ouvir uma frase dessa mas tudo bem. Fora a minha vó que é católica, e tem que me xingar de filho do diabo porque senão o dia não fica bem. Mas mesmo assim a cada dia que vão
me xingando mais, a cada dia eu tenho mais orgulho de ser gay. Antes eu
não passeava, eu não ia à praia, eu não fazia
trabalhos em grupos na escola, tudo por medo de mostrar que eu era efeminado.
Hoje, perdi a vergonha.
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Hero
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lá mais uma vez. Desta vez eu estou aqui para falar de um dos principais e talvez o mais difícil obstáculo à nossa homossexualidade: "A Família". Nela, quem mais importa é o pai, a mãe e os irmãos. No meu caso, que sou filho único, só posso comentar a minha relação com os meus pais. Talvez se eu tivesse uma irmã, ou até mesmo um irmão, em quem eu confiasse plenamente, seria mais fácil para mim na hora de abrir o jogo pra família. A minha relação com eles dois muitas vezes é amigável, mas também há várias vezes em que nós não nos suportamos. Conviver com isso diariamente é péssimo. Mas vamos falar do que interessa, como eles me vêem, como eles reagiriam se soubessem que eu sou gay... Hoje, aqui na minha casa, a situação
é tensa, de dar nos nervos. Há cobrança
A minha mãe conversa muito
comigo sobre homossexualismo, e sempre há
Eu tenho certeza de que minha mãe choraria na hora, entraria em depressão e tal... essas frescuras de mulher... Meu pai, talvez não falasse comigo por 1 ano. Mas nada do que uma conversa bem franca, bem aberta, bem direta, de filho para pai e mãe. Com muita sorte eles nos entenderiam, e veriam que não é nem um pouco difícil de aceitar isso. Nós podemos ser gays, e não podemos deixar de lutar para termos o apoio dos pais, que na minha opnião, são as pessoas mais importantes da nossa vida. Certamente veremos que nós
podemos ser o que quisermos, mas não seremos
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iê... Não posso falar meu primeiro nome mas me chamo Júnior... Moro em Uberlândia, MG.... tenho 15 anos, fiz agora adivinhe o dia! 24 é lógico... No começo achava ruim ter nascido nesse dia mas depois sei lá... que bobeira... é um dia como outro qualquer... Bem...tenho apenas 15 anos e minha
mãe já sabe que sou gay... tenho um amigo
Aposto que vcs devem estar pensando
que sou super afeminado... que foi minha
Muitas pessoas acham que somos diferentes só porque somos gays! O pior é que os própios gays acham isso! Eu pelo menos não acho! Todos nós somos diferentes sim, mas não por causa de nossa opção!! Às vezes chego a pensar que isso não é uma opção pelo menos pra mim não! Desde criança sabia que era gay! E por mim mesmo... Não me achava estranho ou diferente dos outros... Sei lá, já pensava em coisas do tipo: Ahhhh, aquele menino é bonitinho!!! Confesso que se pudesse escolher em vir pra terra como mulher ou homem, escolheria qualquer um dos dois... mas hetero! Por mais que eu ache normal ser gay!! É que mesmo não sofrendo preconceito ele existe... sem falar que fico com muito medo de conhecer amigos hetero... sabe tenho muito medo de acabar me apaixonando por um hetero... então, como não sei encarar essa situação, prefiro evitá-la! Também tento evitar os bi! Olha só que bobera! isso é praticamente um preconceito!!! Mas que foi gerado em mim por causa do medo! Também acho que muitos bi são o que são por causa do medo de que a família descubra... Não conseguem se aceitar como o que realmente são... sem falar que muitos dos bi só querem saber de transar! Desculpe-me os que são bi e não são desse jeito! Mas desde o começo disse MAIORIA... Tenho medo de ser trocado por uma mulher - que loco né! Mesmo não sofrendo preconceito
é muito dificil ser gay! Para falar a verdade
Além disso, eu pelo menos
acho muito difícil e complicado o ''namoro'' gay! Com
Bem é isso então, basicamente é isso! Júnior
Uberlândia/MG |
om, eu me chamo Guilherme, mais virtualmente conhecido como Hayaku (não que eu seja apressadinho... ah, talvez eu seja, mas não é por esse motivo que eu tenho esse nick), neste momento com quase 16 anos. Através desse e-mail vou tentar explicar como é ser e-jovem numa família de e-merdas (ou seja, um saco). Minha família é católica e eu sou ateu, mas nem isso eu revelei a eles. Apesar de eu não seguir alguma religião, acho que sou muito mais feliz e tranquilo que eles. Não que eles sejam pessoas tristes, mas não são como eu. Minha família sempre está reclamando de algo e de vez em quando tem uma conversa amigável entre eles. Minha mãe vai a igreja toda semana, frequenta um grupo religioso mas sempre que tem um problema (algo até um pouco freqüente) desconta nos filhos (90% em mim) e de vez em quando chega a ficar muito nervosa, demorando dias para se acalmar e sempre defendendo a filha. Meu irmão é bastante infantil, não pensa e concorda com tudo que meus pais dizem, a ponto de vir contra mim denunciando qualquer coisa "errada" que eu faça sem que através dele ele saia com um benefício (o que me faz perguntar porque ele faz isso). Minha irmã é uma dessas adolescentes adolescentes mesmo, que sai sempre, fica quando quer e se entope de estudos para o vestibular e também concorda com tudo o que minha mãe diz. Meu pai... sei lá. Ele sempre foi presente, mas foi de fazer poucos agrados (carinho, abraços, coisas desse tipo) e de vez em quando (na minha opinião) inventa motivo para me deixar sem algo. Eles todos são carregados
de preconceitos, um pouco contra negros (sempre mais desconfiado deles
do que dos brancos) e principalmente contra homossexuais; e teses que eu
detesto só de saber que há quem a apoie, como a de que a
mídia (TV, videogame, músicas) pode influenciar alguém.
A exemplo de minha irmã (2 anos mais velha), que já chegou
a comentar pra mim que "tem tudo contra homossexuais, já que se
Deus criou o homem e a mulher, assim deve ser". Eu sei que poderia fazê-la
se contradizer e quem sabe mostrá-la que estava errada (tarefa difícil,
antes tenho que mudar a opinião de sua, digamos, superiora), mas
como ninguém de casa gosta de discutir comigo pois sabem que eu
não
Me lembro de outra vez quando junto de minha irmã e de minha mãe tive a infelicidade de acabar durante um zapping pela TV no programa "Te Vi na TV". Nesse caso, mostrava um casal de lésbicas. Quando elas se beijaram, minha irmã e minha mãe acharam um "absurdo mostrarem isso", dizendo que isso com certeza vai levar mulheres a fazer o mesmo. Na hora eu disse que TV não influencia ninguém e, se alguém quiser seguir o exemplo da TV, é porquê sempre no fundo teve vontade, o que nesse caso não é nenhum problema. Claro que elas não concordaram com uma palavra. Minha mãe já disse uma vez - eu era pequeno até, nem tinha entrado na adolescência- que não sabe se aceitaria que um de seus filhos fosse homossexual. Eu me lembro que, mesmo com menos de 10 anos, me senti atingido e a partir daí percebi que não seria fácil ser e-jovem nesse mundo tão triste. Tudo isso me levou a ser um e-jovem até então apenas virtual, sempre tendo que fechar e trancar a porta do quarto (que minha mãe insiste em deixar aberta e meu irmão em denunciar o fato de estar trancada aos meus pais) para ver ver/ler/participar de sites ou bate-papos com tema homossexual. Algo que eu quero mudar, me refiro ao ser e-jovem no mundo real, que estou começando a conseguir através do mundo virtual. Esse são apenas exemplos marcantes de uma família que não apóia um e-jovem. Ainda tem outros, tanto quanto ao assunto do homossexualismo quanto outras coisas. Eu, sinceramente, me acho o cara mais cabeça aberta, mais humano e feliz da família, mesmo sem seguir uma religião. Está aí o meu depoimento. Hayaku
Rio/RJ |
ão quero parecer aquele tipo "tia velha", mas gostaria de dizer aquilo que sempre precisei ouvir e nunca tive ninguém que me falasse a respeito. Meu nome é Allyson e tenho 25 anos. Faz 2 anos que assumi minha homossexualidade às pessoas que mais amo nessa vida: meus pais. Não é fácil ser homossexual em nenhum lugar do mundo. No Brasil é um pouco pior. Nosso povo é muito criativo. Usa de muitas artimanhas para esconder o preconceito, isso quando ele não é declarado, uma vez que, ainda não é crime a discriminação pela orientação sexual nesse país (Nota da Redação: Em alguns estados, como são Paulo, já é sim! Veja a íntegra da lei na coluna Dura Lex). Quando da minha adolescência,
sempre tive um desejo forte por homens e, quanto mais maduro, maior era
o desejo. Fiquei dos 14 aos 19 enganando a todos,
Não quero aqui inibir ninguém para que permaneça dentro do "armário". Sair dele é a melhor coisa que um homossexual pode fazer. Mas há que se ter muito cuidado para não machucar as pessoas que mais amamos. Lembrando que, por mais cuidado que tenhamos, feridas sempre serão abertas. Minha mensagem é para que todos vivam intensamente como se fosse o último dia de suas vidas. Sempre tomando o cuidado de não machucar as pessoas, mas buscando cada vez mais amizades. Afinal, "quem tem um amigo tem um tesouro". Finalizando uma palavra de Vitor
Hugo: "O espírito se alimenta daquilo que recebe,
É isso aí... Abraço a todos, Allyson
Campinas/SP |
lá pessoas integrantes do e-jovem... Eu sou o Oliver, já faço parte do grupo e-jovem há algum tempo, e como minha participação até hoje não foi muito percebida (diretamente), eu me propus a participar do tema dessa vez... Bom, eu tenho 16 anos, já descobri sobre a minha sexualidade há algum tempo, graças a uma pessoa que vocês devem conhecer por causa da coluna... Pedro Enrique, enviado aos EUA... Pois é, ele me ajudou a me descobrir melhor e saber do que realmente eu sou capaz de sentir... Eu atualmente estou passando por uma fase meio difícil, que é justo a do contar ou não para os meus pais sobre a minha sexualidade. Eu de certa forma acho que devo contar, por que eles apesar de tudo são meus pais, mas ao mesmo tempo, eu não me sinto seguro o suficiente para falar isso tudo pra eles. Eu sei do treco que a minha mãe vai ter, ou, o meu pai vai me expulsar de casa, mas eu não consigo mudar o que eu sinto, isso tudo não é apenas uma atração por uma pessoa do mesmo sexo, mas sim um sentimento forte por uma pessoa do mesmo sexo. Eu acho que todos têm essa crise quando ficam prestes a contar. Mas eu pretendo falar logo, eu não agüento mais ficar guardando coisas, por mais que isso vá me prejudicar, de certa forma ira me fazer bem... Agora eu penso; o que nós temos de diferente dos outros para sermos tão discriminados? E não acho que o simples fato de você gostar de uma pessoa do mesmo sexo seja algo tão temível e assombroso... Do mesmo jeito que uma pessoa branca pode gostar de uma preta ou amarela, nós deveríamos também poder gostar de pessoas que nem nós... Mas o mais difícil de tudo é fazer uma pessoa entender tudo isso, e infelizmente nessas horas é que iremos ter certeza de quem é amigo ou não... E foi assim que eu descobri uma pessoa verdadeiramente amiga pra mim, que é a Marina, minha ex-namorada, ela foi quem me deu um dos maiores apoios... Assim, também vem minha prima, Iza, que eu amo de paixão... E claro, agora eu digo, Pedro, a pessoa que mais me da forças, o motivo para o qual eu quero abrir a minha vida para todos... AMO TODOS VOCÊS... Valeu galera e Boa Sorte... Oliver
Maceió/AL |
lá a todos. Primeiramente gostaria de me apresentar. Eu sou o “The Fallen”, tenho 20 anos e não sou assumido. Porque não me assumi? Porque eu sou um covarde que teme opiniões alheias que não deveriam interferir na minha vida, mas no entanto me fazem me sentir inferior. Bom, gostaria de dizer que minha família (meus pais) é muito aberta à diálogos e que sempre me deram todo o suporte emocional de que precisei, e muito embora nunca me cobrassem nenhuma postura sempre senti o horror deles de ter um filho homossexual. Além disso, existe o resto da minha família, que por parte do meu pai é extremamente preconceituosa (exceto alguns primos), e a da minha mãe que é de árabes (que condenam todo o tipo de relação homossexual). Também tenho um irmão mais novo que embora todo cheio de preconceitos (ele odeia gays - até porque quando ele tinha uns dez anos de idade ele me flagrou "brincando" com um amiguinho), recentemente um ex meu disse ter mantido relações com ele (coisa que me deixou irritado na hora mas depois passou) e ficou tudo por isso mesmo (ele não sabe que sei sobre essa história). Me lembrei agora de uma passagem da minha vida: Eu tinha um amigo, o qual vamos chamá-lo de Bru. Bem, ele era muito meu amigo, do tipo dormir juntos (ele é hetero e nunca pensamos em nada), ele sempre me apoiou e nunca me criticou em nada e sempre me acompanhava em minhas viagens, e numa destas estávamos na minha casa de praia com toda a minha família por parte de pai reunida e resolvi fazer uma surpresa e acordá-lo com um café da manhã na cama (até aí nada de mais, pois sempre fazia isso com todos), e na hora do almoço todos começaram a falar um monte e de repente olhei pro meu pai e ele me fez sinal pra não dar bola, mas começou a me encher o saco. Foi quando num momento de raiva eu peguei e respondi que aquilo não era problema deles. Pronto o circo se armou todo mundo ficou branco e ficou quieto, daí eu levantei da mesa em silêncio e não falei mais nada com ninguém. Desse dia em diante eu descobri que estava sozinho, pois meu pai nem tentou me defender, ele simplesmente ficou me olhando sem dizer nada. Mas isso é passado e hoje vivo bem, apesar de não ter coragem de me assumir, ninguém me pressiona com relação à namoradas, pois eu não dou satisfação nenhuma a respeito da minha vida particular (o que irrita muito minha mãe). Antes de finalizar, eu gostaria de dizer que o mais importante são aqueles que amamos e que nos amam incondicionalmente, ou seja, do jeito que a gente é. São essas pessoas que importam, independente de serem parentes ou não, porque acredito que amigo a gente escolhe e parente não!! Gostaria de deixar um elogio a Nelson
Luis de Carvalho pela sua obra "O 3.º Travesseiro", uma obra
que considero "viciante", pois sua linguagem é tão fantasticamente
realista que não há como não se excitar nos momentos
de amor assim como não há como não chorar nos momentos
tristes. Eu senti cada
Mas eu fico por aqui. Valeu pelo desabafo!! Um grande abraço a todos os e-jovens do Brasil! The
Fallen
Paraná |
screver um e-mail sobre como é ser um e-jovem (adorei esse eufemismo) é quase tão complicado quanto contar para a família sobre sua sexualidade: você tem que medir as palavras, pensar bastante antes de fazê-lo, não perder a paciência e mais que tudo, estar pronto para todo tipo de reação (desde "Parabéns pela coragem" até "Não quero mais te ver nunca mais na minha frente", passando pelo 'sutilmente preconceituoso' "Deve ser apenas uma fase"). Descobri ser gay há mais ou menos um ano. Sempre tive minhas dúvidas, mas cheguei a sair com garotas (experiências não tão ruins quanto alguns acham). Quando realmente resolvi assumir para mim mesmo (o que é sempre o primeiro passo: aceitar-se....como dizia algum filósofo cujo nome eu sempre confundo: Conhece-te a ti mesmo), há mais ou menos um ano, passei um bom tempo ponderando se deveria contar ou não para mais alguém... Correndo o risco de acharem que sou alienado, foi um programa de tv que me levou a contar para minha melhor amiga: O Na Real, que tinha um participante gay. Achei que aquele era um bom momento. Contei. E para minha surpresa, ela levou numa boa, me apoiando, me fazendo perguntas. Foi muito bom. Algum tempo depois, resolvi contar para minha mãe... Eu estava com muito medo de reações extremas... Contei. Ela ficou parada por um tempo, olhando pra minha cara e perguntou: "Você tem certeza?". Eu disse que mais ou menos (ainda não tinha ficado com nenhum cara na época), mas era quase certo. Durante algumas semanas, a situação ficou tensa. Nos olhávamos como quem não entende a posição do outro. Com o tempo, minha mãe foi aceitando a idéia, chegando até a brincar sobre isso. Hoje ela se tornou uma das minha maiores confidentes. Resolvi escrever isso para que todos vejam que as pessoas que realmente se importam com você não se importarão se você é ou não é... pois isso não te faz uma pessoa pior ou melhor. Julinho
– 17 anos
São Paulo/SP |
om, me chamo Fernando, tenho 22 anos, e é a primeira vez que participo de um fórum ... Toda minha família sabe o que curto, isso inclui madrinha, padrinho, primos, tios... claro que no começo era aquele problemão, ninguém conhecia este mundo e tinham todos aquela visão estereotipada do meio, mas com o tempo eles viram q eu continuava a ser um moço de família. Tive problemas de aceitação por parte do meu pai no começo, confesso que ficava muito triste com isso, mas tive paciência e procurava entender da forma como ele via as coisas, foi aí meu trunfo, pois consegui desta mesma forma mostrar a ele como eu via... hoje somos amigos, e isso vale a pena... Posso contar sempre com a minha família,
é muito importante para nossa formação ter pessoas
que nos aceitem e nos amam, principalmente aqueles com
Aquele abraço a todos... Fernando
- 22 anos
São Paulo/SP |
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