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| !!! |
| O que você acha dessa tirinha
do Laerte:
Bom, essa foi a primeira de uma série de cinco tiras em que o garoto vai questionar a sexualidade do pai. E, acreditem se quiser, estas tirinhas geraram certa polêmica mês passado. Um dos colunistas do site da G Magazine, Jayme Camargo, acusou Laerte de estar incentivando a homofobia. Diz ele: “Alguns cartunistas adoram fazer humor com os homossexuais, na mesma linha dos programas de televisão que fazem as “pegadinhas” com gays. É um humor pobre de idéias, pois só funciona em cima de clichês, alimentando preconceitos”. Felizmente, não é o que o que a comunidade homossexual pensa. "As tirinhas são ótimas. Confrontam a inocência de uma criança com a educação que recebe, dos pais e da mídia, e o tipo de conclusão a que isso poderia levar. Muito bem sacada. Pena que nem todo mundo entende, como dá pra ver", afirma o internauta Paulo, em comentário no próprio site da G. Outro internauta, Rodrigo, completa: "Como o Paulo já disse, é realmente uma pena que nem todos consigam entender que o alvo das tirinhas é justamente o oposto do que você pensa, Jayme. O Laerte é um dos cartunistas mais geniais e esclarecidos deste país.Pense 1 pouco antes de falar besteira." Dos 31 comentários que a nota recebeu, apenas 6 concordaram com o colunista. Sinceramente? Chamar o Laerte de homofóbico não tem o menor cabimento. Logo ele, que desde o início do E-jovem colaborou de graça desenhando tirinhas do Cícero pra gente! Fala sério!! Eu podia ficar horas aqui falando do Laerte e de como ele já ilustrou a homossexualidade de mil maneiras divertidas e tal – mas nada melhor que deixar o próprio cara falar do trabalho dele...
Não
se trata só das falas, eu vejo os personagens com suas ações,
também. É importante o contexto dessas conversas – o jeito
como crianças conversam, atirando pedras, andando pela casa, comparando
as bundas no espelho, jogando alguma coisa. Apesar de serem personagens
de uma história de humor, sempre mantenho um registro realista.
São dois meninos conversando sobre um tema que está longe
de ser algo tranqüilo e despido de conflito para mim ou para qualquer
pessoa. Não a homossexualidade, mas o sexo. Sempre tenho muita
insegurança a respeito do que faço, mas dessa vez me pareceu
incrível que alguém fosse ler as tiras sem
Seus quadrinhos poderiam então ser interpretados como um alerta, uma crítica? Todas as vezes em que quis usar os quadrinhos como veículo de propaganda eu entrei bem. Mesmo que funcionalmente tenha sido bem sucedido, acabei violentando o verdadeiro motivo por que faço histórias (que eu nem sei muito claramente qual seja). Acho que posso contribuir com o avanço espiritual da humanidade, mas não posso virar apostila. Qual sua opinião sobre o que deveria ser feito para mudar isso? Acho que um bom modo é deixar os temas e contratemas fluírem pelas histórias com naturalidade. Se conseguirmos ser mais militantes e menos militares será um grande avanço. O humor é uma linguagem dúbia, uma faca com dezenas de gumes, inclusive no cabo. O preconceito faz parte dos ingredientes do humor, e é preciso trabalhá-lo à parte, digamos assim. Fora essa polemica em torno de seu quadrinhos, existe uma campanha de alguns grupos para retirar de veiculação a musica "Papo reto", do Charlie Brown Jr, que tem em sua letra "filhadaputa viadinho". Alguns, mesmo no meio gay, acham essas ações um pouco extremas. O que você acha destas atitudes da militância gay? Funcionariam para se acabar com o preconceito ou só trariam mais má vontade para com o segmento GLBT? Acho que trazem mais má vontade, sim, mas talvez isso seja inevitável. Não acredito em censura, proibição, mas acredito em discussão. É possível iluminar certas coisas que passariam despercebidas. Sei que isso soa contraditório. Acabei de defender a naturalidade e defendo que se passe a naturalidade por um detector de armas. Acho que é assim mesmo. Vivemos num tempo em que temos que ficar com um olho no gato e outro na frigideira. De resto, esse Chorão está me saindo um belo vendedor de coca-cola. Difícil chamar você de homofóbico - ainda mais conhecendo seu trabalho junto ao site E-jovem, com o personagem Cícero. A simples existência desse personagem não seria por si só uma boa resposta a esses críticos? Você pensa em escrever mais tirinhas do Cícero? Volto a dizer que não acredito que as tirinhas tenham caráter homofóbico, só porque a fala dos personagens contenha elementos homofóbicos. Não acho que tenha sido tão sutil assim. Agora - o Cícero sim é que exige uma revisão geral, tanto é que eu parei a série… A verdade é que certos procedimentos de criação, como os que usei no Cícero, acabam me trazendo problemas. Estou falando de um processo pessoal, que com outros autores há de ser muito diferente. O problema é que o Cícero veio sob encomenda, com a missão de cumprir uma certa agenda. Para mim isso significa um “peso” que torna difíceis as manobras do personagem. A alternativa seria, será, um trabalho mais ligado à minha experiência de vida. Posso estar tratando de super-heróis ou de personagens animais, mas nos meu melhores momentos sei que estou falando da minha experiência. (Quer ver mais tiras do Cícero? Escreva para o Laerte!) Existe algum recado que você gostaria de dar aos seus fãs homossexuais e à comunidade em geral?? Sim, algo que alguém disse
num encontro aí (desculpe não lembrar quem disse nem onde
nem quando, nem as palavras textuais): Não
queremos que nos entendam, nem que nos aceitem, nem que nos apóiem.
Só queremos que nos desejem.
O
quê você acha dessas tiras?? Dê sua opinião!
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