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Gládio
Sua escola já tem um grêmio... 
Agora é hora de montar um gládio!
 
 
Vamos pra rua!

Não, dessa vez não é um chamado pra gente sair em passeata, batendo panela e gritando em alto e bom tom que adolescente pode ser gay SIM (como tenho sugerido em outros textos do site)... Trata-se de uma evolução do conceito de gládio que eu gostaria de conversar com vocês aqui.

Quando o E-JOVEM lançou a idéia dos gládios em 2007, muita gente achou o máximo. Muita gente chiou também ("Querem homossexualizar as escolas de nossos filhos!"). E alguns me perguntaram: "Mas é só na escola que pode montar?"

Essa pergunta me pegou de surpresa, confesso.

Quando idealizamos os gládios, pensamos sempre naqueles clubinhos escolares, tipo grêmio mesmo (veja mais abaixo), que ajudariam a garantir uma escola com menos homofobia. Mas se a idéia funciona para o ambiente escolar, por que não expandir para outros ambientes??

Gládios nos bairros
Nos bairros, por exemplo. Em cidades grandes, muitas vezes fica difícil reunir todos os E-jovens num lugar só, num mesmo dia e horário. Mas nada impede que grupos de adolescentes e jovens gays se reúnam na zona sul de São Paulo e outros na zona Leste. Ou nas zonas Oeste e Sul do Rio de Janeiro. Esses gládios podiam estabelecer seus próprios dias e horários ideais para o encontro e, quinzenalmente ou mensalmente, sei lá, todos se encontrariam na reunião do E-grupo. Um E-grupo seria a união dos vários gládios mais aqueles jovens que não pertencem a gládio nehum e vão só pras reuniões maiores.

Gládios em outros grupos
Outra idéia bacana que surgiu foi a possibilidade de gládios serem criados dentro de outros grupos, ONGs e associações - sejam GLBTs ou não. Muitos poucos grupos trabalham somente com adolescentes gays, mas muitos grupos gays possuem membros jovens e muitos grupos de jovens possuem membros gays. Esses jovens gays ligados a outras instituições poderiam se organizar num gládio e filiar esse gládio ao E-JOVEM - assim poderíamos firmar uma parceria com estas instituiçãos e, ao mesmo tempo, empoderar esses jovens para que façam suas vozes serem ouvidas em suas organizações (o que nem sempre é fácil). Esses gládios também poderiam participar das reuniões do E-grupo e contribuir para uma maior troca de informações entre as organizações.

Gládios como mini-E-grupos
E, finalmente, percebemos que, na prática, um gládio é um mini-E-grupo - seja na escola, no bairro ou numa outra instituição. Ele teria sua autonomia, mas estaria ligado ao E-JOVEM como um todo, através do E-grupo de sua cidade, quando houver. Mas e se não houver?

O gládio poderia ser uma primeira experiência, a primeira tentativa de criação de um E-grupo.

Em algumas cidades do interior, E-jovens costumam viajar pra participar de E-grupos nas cidades maiores. O E-CAMP, por exemplo, em Campinas (SP), sempre recebe adolescentes e jovens das cidades vizinhas (Indaiatuba, Salto, Monte Mor, Hortolândia, Paulínia, Americana...). Numa cidade assim pequena, um gládio poderia ser criado. Depois, dois, três - um na praça onde a galera sempre se encontra e dois em escolas, vamos supor. Com dois ou três gládios funcionando, já dá pra montar um E-grupo fácil!

O que vocês acham?? Eu vejo os gládios realmente como o futuro da militância GLBTeen no Brasil - e uma ótima maneira de fortalecer a nossa rede e garantir a participação de TODOS os que querem participar. 

Gladiadores, escrevam para o E-JOVEM e digam o que acharam das idéias lançadas neste artigo - e caso queiram conversar sobre a criação de um gládio no seu bairro, grupo, local de trabalho ou escola, escreva também: gladio@e-jovem.com.

2008 é o NOSSO ano!! =D

Deco :]



Mais do que grêmios gays

por Deco Ribeiro
 

Já tem gente chamando os gládios de "grêmios gays". Tem a ver. Mas é muito mais que isso. Um gládio é uma pequena espada de combate, certo? E o que isso tem a ver com gays, lésbicas e aliados?

A idéia é fazer algo na linha das Gay/Straight Alliances que existem nos EUA. As GSAs foram criadas com o propósito de fiscalizar a aplicação de uma lei da Califórnia que proibia a discriminação contra homossexuais - e punia a escola que não oferecesse um ambiente saudável para o aluno gay e a aluna lésbica estudarem. Ou seja, se a escola se omitisse em proibir os abusos, ela seria enquadrada tanto quanto os agressores. 

Essa lei foi um marco no movimento gay americano, que resolveu fundar 'clubes gays' em cada escola, para que os próprios alunos discutissem a questão e denunciassem os abusos diretamente. E o mais curioso: esses clubinhos eram formados por alunos gays e heteros, pela primeira vez participando juntos do movimento - bem no estilo da Aliança que o Grupo E-jovem promove...

Mas como isso funcionaria no Brasil?

Primeiro Passo: Grupos de Estudos 
Em um primeiro momento, é preciso levar a discussão sobre a diversidade sexual para dentro da escola, faculdade ou universidade. O ideal seria que a própria instituição abordasse, fizesse palestras ou promovesse um curso sobre o tema - mas isso é pedir demais. 

Portanto, se o debate não vem de cima, pode muito bem vir de baixo: que tal os próprios alunos se organizarem para, sei lá, semanalmente conversar sobres assuntos GLBTs? Podem discutir um texto, algum fato recente ou apenas sentar e conversar. Falar sobre como a sociedade vê os gays, sobre preconceito, sobre violência. 

E o mais legal: não precisam ser só alunos gays, lésbicas, bissexuais. Héteros também podem - devem - participar. Afinal, a homofobia é um mal que aflige a todos, indiscriminadamente. Ou uma garota hétero não é discriminada por ser amiga de um garota lésbica? E os garotos héteros, que precisam ficar provando que são machos 24 horas por dia? A homofobia nos oprime a todos. 

Segundo passo: Grupo de Apoio
Uma vez estabelecido o grupo de estudos, é natural que os participantes comecem, aos poucos, a falar sobre si mesmos. Sobre dúvidas e pensamentos que tenham, sobre fatos que aconteceram com eles. Alunos que sofrerem discriminação na escola acabarão se juntando ao grupo em busca de informação ou apoio. Esses alunos fortalecem o grupo e sentem-se fortalecidos por ele. 

Terceiro passo: Grupo de Ação
O último estágio também segue uma sequência lógica. Os alunos já estão se reunindo periodicamente, trocando informações sobre diversidade sexual e homofobia, trocando experiências, até recebendo denúncias de discriminação. E vai ficar só nisso, ninguém vai fazer nada? Que tal uma comissão de alunos ir conversar com a Direção dobre o assunto? Ou bolar uma campnha contra a homofobia na escola? Ou organizar uma mostra de vídeos GLTTBs durante o intervalo? Ou mesmo palestras sobre sexualidade durante os eventos do Orgulho Gay, em junho? 

Estudo, apoio e ação. Voi lá, o pequeno grupo de estudos se tornou um gládio, um grupo de combate. E você e seus amigos são agora gladiadores e gladiadoras, tomando as rédeas do seu destino e lutando cara a cara contra o preconceito. 

Utopia? Funciona nos EUA, na Austrália, e em vários países da Europa. Somos tão atrasados assim? Não custa nada tentar, né?

Futuros gladiadores, escrevam para o E-jovem: gladio@e-jovem.com. E recebam todo o apoio para embarcar nessa aventura!
 

Deco
é fundador do Grupo E-jovem


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