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* Amor, pode confiar: estou limpo - parte 2 * Menos tabu, menos preconceito |
| Amor,
pode confiar: estou limpo! - parte 2
por Cool Boy
DA
COLUNA ANTERIOR: É assim que tudo começa, confiamos demais
nas pessoas. Pelo menos comigo foi assim. Comecei a namorar, e na primeira
vez que ficamos sem camisinha, ele olhou nos meus olhos e disse: "Amor,
pode confiar, estou limpo!", e eu acreditei... A partir daquele momento
entreguei-me totalmente, e passamos a fazer sexo sem camisinha, para "sentirmos
mais prazer", o que não é verdade.
Dois meses depois fiz o teste do HIV, apenas para controle, e para a minha surpresa o resultado foi positivo. Obviamente fiquei desesperado, não sabia o que fazer, o que pensar, como agir. A primeira coisa que fiz foi contar a ele, que também se desesperou, pois era evidente que ele também estava com o vírus. Foi a vez dele fazer o teste e, claro, deu positivo. A partir desse momento, comecei a ver as coisas muito diferentes. No início nada tinha mais graça, pois iria morrer logo, para que me esforçar? Praticamente abandonei a faculdade, meu desempenho no trabalho diminui, tudo pra mim estava prestes a terminar. Mesmo assim, pensava eu: "Estou ao lado do meu amor, e juntos tudo podemos, só com a força do nosso amor venceremos esse vírus." Claro que estava errado, primeiro porque ele não me amava, mais isso é outra história, e segundo porque o vírus HIV é um problema fisiológico e não sentimental. Relutei ao máximo para fazer os exames de CV e CD4, porque? Por medo, medo de saber, talvez, que tinha apenas alguns meses de vida, medo, de saber, talvez, que meu estado era pior do que imagina, pior até, medo de descobrir que ficaria sem o meu amor. E assim levei 3 meses, adiando e adiando o exame. Enquanto tudo isso passava na minha cabeça e na minha vida, tive ainda que esconder da minha família e dos meus amigos, e novamente pergunto-me: por quê? Novamente por medo, mas dessa vez, medo do preconceito, pensava que as pessoas me olhariam diferente, teriam até nojo de mim. Mas não, as pessoas que souberam, me deram muito apoio, e ajudaram-me a seguir em frente. Ainda hoje, não consigo assumir-me como portador do HIV, pelos mesmos motivos e outros até que não sem definir. Mas muita coisa mudou, estou mais confiante, mais seguro de mim mesmo, ah e estou solteiro também, o que foi um grande avanço. Fiz os exames, todos deram ótimos, e segundo minha médica ainda terão que me agüentar por uns bons 40/50 anos (risos). Mas uma coisa deve ficar clara: Nunca é demais se proteger, nunca é demais cuidar de si mesmo, pois ao usar preservativo não estamos apenas usando preservativo, estamos sim, cuidando de nossa saúde, e não só a saúde física, mas também a psicológica, pois ninguém queira receber um exame onde mostra que você tem um vírus que estará até o fim de sua vida enfraquecendo seu sistema imunológico. E está errado quem pensa que só porque tenho HIV não me cuido, pelo contrário, agora é mesmo que uso eternamente camisinha. Não só para evitar de contaminar alguém, mas também para evitar que eu mesmo seja recontaminado. Tenho 21 anos, e podem parte de mim ficou naquele exame. Nunca mais serei o mesmo. Nunca mais viverei como vivia. Por isso pense bem antes de se descuidar. Cool Boy será um colunista fixo aqui do site. Ele é um E-jovem e portador do vírus HIV. Fora ele, estaremos publicando relatos de outros jovens que também passam por essa experiência. Menos tabu, menos preconceito Por José
A.
Deco, Antes de qualquer coisa gostaria de parabenizá-lo pelo site, fundamental para auxiliar os jovens no difícil processo da aceitação da sexualidade. Bem, li seu editorial sobre HIV / AIDS (fev/2006) e me senti “obrigado” a comentar. Você levantou uma questão importante, que acho que vêm sendo pouco discutida: os jovens sabem da existência de DST’s, sabem da importância de se cuidar, mas insistem em não usar preservativo em todas as suas transas. Vou tentar traçar minhas considerações sobre isso, inclusive através de minhas experiências. Eu tenho 24
anos, sou homem, gay, e me descobri soropositivo há apenas 3 meses,
em exames de rotina. Venho lidando com esta nova situação
até com bastante tranqüilidade, por sorte encontrei ótimos
médicos pelo caminho que me tratam com bastante respeito (o que
nem sempre acontece). Assim que soube ser portador, me debrucei sobre todo
tipo de
Agora uma coisa que passou a me intrigar foi: eu, um rapaz tão “esclarecido”, cursando faculdade, aparentemente bem informado, como fui me descuidar dessa maneira? Sempre ouvi falar de Aids desde criança, conhecia a história toda (apesar de agora saber que mal contada), como fui cair nessa? Cheguei a uma conclusão: eu fui um idiota, porque achei que isso nunca iria acontecer comigo. E acho q muita gente ainda pensa assim. Sabe por que isso acontece? Porque o assunto AIDS/HIV ainda é um tabu. Sim! Um tabu, porque ou nem se fala nisso, ou quando se fala as informações são totalmente distorcidas ou errôneas. Ainda há muito preconceito com a doença e conseqüentemente com quem carrega o vírus no seu organismo. E preconceito só atrapalha a conscientização. Sabe por que eu achava que nunca ia me infectar? Porque, mesmo que num grau inconsciente, eu carregava muito preconceito. Eu achava que soropositivos nunca fariam parte do meu meio social, afinal ou eles estão doentes nunca cama de hospital, ou deprimidos em casa tomando seus remedinhos para adiarem a morte. Ignorância total! Mas é assim que as pessoas pensam. Na verdade chega a ser uma forma de defesa: “você se infectou? coitado! mas por favor, fique em casa, não vá querer continuar transando por aí...” Mas não é assim que a coisa funciona. As pessoas soropositivas continuam exatamente as mesmas pessoas antes de se descobrirem nesta condição. Continuam com seus sonhos, trabalhando, estudando, namorando, amando!!! O que fazer então? As pessoas não precisam só receber informação sobre o assunto, mas tomarem conhecimento, o que é bem diferente. 1. Menos tabu, menos preconceito O assunto tem que ser mais – e melhor - discutido em todos os locais: em casa, trabalho, escolha, no barzinho.... e sem hipocrisia. As pessoas têm medo de falar nisso. Não sabem que HIV é uma coisa e AIDS é outra! (eu por exemplo sou portador do HIV mas não desenvolvi a doença AIDS) Depois que descobri minha condição, contei pra dois amigos. Eles super me apoiaram, disseram que nada ia mudar. E nada mudou mesmo, continuamos amigos. Mas como assim nada tem que mudar??? Tem que mudar sim, eles tinham que aproveitar essa oportunidade de agora conhecerem um amigo soropositivo e me perguntar sobre o HIV, o que isto tá interferindo na minha vida, como eles podem se prevenir, o que eu acho deles também fazerem o teste. Mas não, eu percebi que eles evitam o assunto. Tenho a impressão que as pessoas acham que só de falar na palavra HIV já se “pega”.... rs 2. Não adianta botar medo, só atrapalha As campanhas publicitárias e as pessoas são muito extremistas nas coisas. Não é bem assim, e falo sobre tudo na vida. Sobre sexualidade, por exemplo: ou vc é homem, hetero “macho”; ou vc é uma “bichinha”, um viadinho bem feminino. A gente bem sabe que não é assim que funciona, né? Com HIV / AIDS é a mesma coisa. Não funciona querer assustar, falar que mata. Temos que acabar com esse discurso “ou você usa camisinha, ou pode pegar AIDS e morrer”. Assim como não adianta dizer que droga mata. Como você bem disse, a mensagem tem que ser menos racional, mais sensível mesmo. E temos que ser mais sinceros na informação, mais verdadeiros. Mesmo porque jovem nenhum gosta de receber ordem, não é mesmo? “Você TEM que usar camisinha”, “Você NÃO PODE usar drogas”. Isso não adianta.... Assim estamos tratando o jovem como se ele fosse um retardado, que não pudesse tomar suas decisões por conta da sua própria interpretação dos fatos. E bem sabemos que nenhum jovem gosta de ser tratado assim. O jovem tem que saber que droga dá prazer sim, é gostoso sim, mas tem seu custo no longo prazo (às vezes até antes). Você pode ou não pode se viciar. Ela pode fazer mal ao seu organismo. É um risco, e cada um decide se vale a pena correr esse risco ou não. A mesma coisa com DTS’s. Temos é que falar: “olha só, existem muitas doenças, causadas por diversos vírus, bactérias e fungos, inclusive o HIV, que são transmitidas através do sexo. Muitas pessoas carregam esses vírus no corpo e nem mesmo sabem, transmitindo umas para as outras. Você não precisa deixar de fazer sexo por causa disso, mas pode escolher entre evitar essas coisas que futuramente vão te dar uma baita dor de cabeça ou não. A decisão é sua. Se você já se acha adulto o bastante para fazer sexo, seja adulto o bastante para se cuidar e para assumir responsabilidades”. Temos que aproximar os jovens da realidade. Ao invés de fazer uma campanha mostrando o Cazuza dos anos 80 doente e morrendo de AIDS, levar nossos jovens a se aproximarem de soropositivos do mundo de hoje, saudáveis, que vivem uma vida “normal”, porém cheia de cuidados, remédios e estresses que podem ser evitados com o simples uso do preservativo. Hoje, qualquer um pode estar infectado pelo HIV, e nem mesmo saber. Mas as pessoas têm medo até mesmo de fazer o exame. Se o preconceito fosse menor, se a informação fosse mais bem repassada, provavelmente isso não aconteceria. Desculpa, me empolguei, rs. É que tenho pensado muito sobre esse assunto, e achei muito importante vc ter falado sobre isso no site. Coloco-me à disposição se quiser conversar, inclusive se quiser debater mais sobre o assunto ou precisar de alguma ajuda. Acho fundamental mesmo que o HIV tenha espaço no site e-jovem. Ando muito preocupado com nossa juventude... Grande abraço,
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