Lilicas
meninas & lésbicas
Nesta semana:

* A Louca?
* Não, eu não sou discreta
* Desabafo

A Louca?

por Aira Corerato
de Campinas (SP)

 

Meus amigos dizem que sou "A Louca". Bem louca, pra ser sincera.

Mas por que louca? Será porque eu não deixo ninguém fazer piadinhas preconceituosas perto de mim? Será por que tô tentando fazer minha mãe me respeitar como eu sou, só pra gente poder ter um melhor convívio, será?

Um dia resolvi perguntar pra eles o porquê deles me chamarem de louca. 

- Aira você é louca porque não tem medo de andar de mão dadas com a sua namorada, não faz questao de esconder que você é lésbica, porque você encara a sua familia e tenta fazer com que eles te aceitem do jeito que você é!

É isso?!

Juro que pensei trilhões de outras coisas menos isso. Pois eu discordo. Acho que quando não tenho medo, não me escondo e enfrento eu só estou sendo eu mesma - e pra mim isso não é loucura e sim sanidade. Pois ter que mentir, fingir e ficar de cabeça baixa, isso sim é loucura. Você finge ser outra pessoa, tem que ter duas vidas... Meu, se cuidar de uma vida dá trabalho, imagine DUAS!!

Isso sim é loucura - mas calma não estou recriminado quem tem que ser assim, até entendo o que acontece, mas convenhamos que é uma loucura essa dupla jornada!

Não poder comentar com a mãe da nova garota que você esta gostando, da boate (que você tem que ir escondida), do barzinho que você foi com seus amigos (porque não pode reunir a galera em casa)... Meu, isso sim deixa qualquer um louco. 

Não nego que já fui muito "louca", tive que ter essa vida dupla e aprendi muito! Aprendi que posso ser uma boa atriz, aprendi como mentir, aprendi como esconder sentimentos, aprendi como iludir e a brincar de "faz-de-conta". 

Porém, analisando tudo mesmo, percebi que eu só gastava muita energia à toa. Noites mal dormidas, só pra bolar como eu sair escondido ou como escapar daquelas benditas perguntas: "E aí, Aira, e os namoradOS, como vão?’’. Todo um tempo, toda uma energia jogada fora, que não me recompensaram em nada.

Hoje vendo tudo que tive que passar, paro e penso que devia ter gastado toda aquela energia mostrando pra minha familia que eu sou normal, que sou a mesma Aira que eles viram crescendo, e que a culpa não é de ninguém por eu ser lésbica. Mostrar a eles que da mesma forma que eles aceitaram minha irma de cabelo ondulado, enquanto a maioria tem cabelo liso, eles podem me aceitar sendo homossexual enquanto a maioria é hétero. Mostrar que não é uma questão de escolha, de vontade, e sim de ser, nascer assim!

Pelo menos hoje eles já iriam me aceitar e não ainda ficar naquela: "Tá, eu respeito, mas não aceito". Ou ainda, pior: "Pra mim, você não é mais da familia".

É todo um tempo que se pudesse voltaria atrás e mudaria essa minha história. Não esperaria mais pra ter que ser feliz de fato.

Sei que esta é uma situação pela qual a maioria passa. Mas pare e pense também: vale a pena?!? Ou é loucura minha?
 

Aira Corerato
tem 17 anos e é Coordenadora Política do Grupo E-jovem em Campinas


Não, eu não sou discreta

por Àgueda Macias
de Brasília (DF)
 
 

Eu não sou discreta. E não quero ser. Sou feliz assim, com um "gay" escrito na testa. Namorando no shopping, comprando presentes de Natal com a namorada. Passando o Natal com a família da namorada. Andando de mãos dadas. Me sinto normal assim. Por que deveria ser diferente? Homens beijam mulheres em público. Eu também quero beijar a minha.

Logo que minha mãe me assumiu para tios e tias, ela ouviu uma enxurrada de "fale para a Águeda ser discreta, afinal, o mundo é cruel!" Mais cruel, para mim, é perder minha vida me escondendo. Escondendo o que sou para o mundo. Escondendo a verdade de mim mesma.

O Amor deve ser celebrado, dignificado. Não oculto e vergonhoso. Eu amo, assim como tantos outros amam, e beijam, abraçam, trocam carinhos. Eu também quero trocar carinhos. Por que isso me é negado?

Desconsiderei os apelos de meus tios. Se é para sofrer com o preconceito, prefiro que ele seja esfregado na minha cara. Não agüentaria a sensação de sufocamento ao saber que todos presumem, falam mal pelas costas, riem de mim, sentem pena do meu "desvio". Eu não tenho um desvio. Eu estou bem desse jeito, e quero que todos saibam disso. 

Lésbica? Sim, eu sou. A única da família, mas isso não me deixa tímida. Isso me dá coragem para vestir a roupa de "diferente", "sapatão", "esquisita", o que mais quiserem. Desde que saibam. Desde que eu diga, na cara deles, que essa é a vida que eu escolhi para mim, e eu a amo. Não a trocaria por nada, nem por um homem, nem por um casamento, nem por aceitação social. Eu adoro o mundo gay. Eu adoro amar outra mulher. Eu adoro me sentir livre de padrões heterossexuais. Eu adoro as baladas gays (Os héteros são normais e chatos, pra mim. Entediantes.). Eu adoro a bandeira do arco-íris.

Eu gosto da subversão, do inverso, do inusitado. Quero quebrar as correntes que me prendem num gênero único e certinho: "você é mulher, usa salto, gosta de cor-de-rosa, sonha em casar de branco e ter filhos loirinhos". Eu quero gritar a todos que eu existo, assim como tantas outras, e que nós somos felizes assim. Que nós somos normais. Para que um dia não exista mais armário nem militantes, apenas igualdade e respeito.

Mas isso não acontecerá se formos todos discretos. Invisíveis. Inexistentes. A sociedade nunca mudará se nós continuarmos escondidos, marginalizados, desconsiderados. Seremos sempre a minoria negada, facilmente jogada para debaixo do tapete. Apagados dos livros de história.

Quero aparecer, quero mostrar que existo, e quero dar a cara à tapa: quem tiver algum problema comigo que fale na minha frente, pois eu assumo o que sou para você. Por que isso te incomoda? Não vou ser discreta. Quero abalar as estruturas. Quero derrubar os preconceitos. Quero que as pessoas se sintam incomodadas, afinal, quem sabe assim elas olham para além de seus próprios umbigos. Quero uma revolução. Não vou me esconder.
E quem tiver essa flama acesa dentro de si, tome a dianteira também. Vá para a linha de frente, alguém tem que fazer esse papel. Assuma. Lute contra seus próprios medos e preconceitos, eles nos matam mais que os externos. Seja você. Contagie outros a sua volta. Liberte-se. Vamos mostrar ao mundo a que viemos - e não, eu não vim ao mundo a passeio, nem para jogar minha vida no lixo enquanto outros aproveitam as suas. Quero amar, ser amada, ser respeitada, ser normal. E para isso faço minha parte. Você já pensou em como pode fazer a sua?
 

Águeda Macias
21 anos, lésbica e universitária

 
Desabafo

por Maede
de Belém (PA)

Meu peito dói.

Milhares de sentimentos se enroscam em meu peito e me deixam mais tonta do que
criança em parque de diversões. Muita coisa acontecendo. Sei que estarei
chateando um pouco pessoas como o DeJ, que lutam quase diariamente pra tentar me ver
feliz e sem depressão; que quase não estão mais vindo, mas que quando vêm pegam de
jeito (pior do que amor), mas eu tive de escrever aqui novamente.

E já que a via-crucis virou circo estou aqui, sentada na frente do meu laptop
tomando uma caneca de suco de laranja em caixa, o único que gosto, e pensando.

Aconteceram tantas coisas que mal sei por onde começar. Estou pensando desde cedo,
mas a coisa virou bomba no começo da noite, em torno de 5 horas, quando em um
momento de mesmice fui abrir os e-mails da minha caixa de entrada do Yahoo! e
comecei a limpar minha pasta da lista E-jovens. Aliás, talvez eu mande esse post para
eles. São pessoas que até agora me pareceram muito boas, melhores do que muita gente
que fica do meu lado, ou que fica longe mas estraga minha vida como se estivesse
colada na minha pele. Um exemplo disso é a nossa querida Brinda, mas depois falo
dela. Ainda sobre essa turma de simpáticos (sentido literal, por favor)
homossexuais, me parecem ser um grupo extremamente fraternal... Notei isso desde
quando me inscrevi, acho que em abril ou maio do ano passado. O
dono-moderador-gerente-gestor-ou-o-que-seja de lá, o Deco, já ajudou meu melhor
amigo em uma oportunidade passada, o que o faz ganhar pontos comigo, e me divertiu
ao enviar (não lembro agora se foi ele, mas acho que foi... se não, a pessoa se
identifique de algum jeito se eu realmente mandar isso pelo grupo) a ele a frase
"Bem-vindo ao maravilhoso mundo do sexo", assim como outras pessoas, como o AM! e
seu namorado (que por sinal não lembro o nome agora, só que começa com W), que
mostram que nem tudo é ruim nesse mundo cheio de preconceitos. Talvez também mande
para os Conselheiros em Crise, que conheci anteontem e estão se mostrando muito
receptivos.

O que tudo isso tem a ver? Nada. Isso é um desabafo; desabafos foram feitos para
ficar trancadinhos em blogs secretos, como é este daqui, e não precisam ter coesão
nenhuma. Mas o que importa são meus sentimentos, e não quem vai tentar entendê-los
(pelo menos agora), então vou tentar colocar tudo pra fora sem tentar quebrar o
computador. Não quero levar esculhambação e ficar sem Annie e Louise. Por mais
incrível que pareça, hoje o problema não é só a depressão, é tudo. A raiva, que foi
atinada depois de algumas correspondências do E-jovens, a carência, que já estava
acumulada há muito tempo e só agora se manifestou de vez, mesmo com minha confissão
no Cassé, o desespero, a solidão, tudo. São muitos problemas. 

Um deles quase 90% das pessoas que convivem comigo, mesmo que bem longe, passam todo dia: pressão. Em uma época decisiva na vida de nós, escravos do sistema escolar, tal como é a do vestibular, é quase impossível deixar de sofrer pressão por parte de
alguém que quer que você faça determinada coisa. Mas pra mim não interessa se
história é um curso muito fechado e idiota, se eu vou quebrar a cara no futuro, se
professor ganha mal, se bacharéis em direito arranjam emprego com a maior facilidade
do mundo em qualquer área e se medicina tem especialização em estética, que segundo
a Veja está se tornando a área do futuro. Portanto, parem de me encher o saco,
porque eu não vou mudar de curso dessa vez. Já estou cansada de escutar vocês. Já me
fizeram desistir de psicologia, turismo, multimídia e publicidade, e pra mim chega.
Até porque a minha inscrição da Federal já está feita, e não dá pra mudar de curso.
Pode ter chilique, mamãe, pode tentar me convencer, papai, não mudo de curso e
pronto. E mandando pro ralo todos estes anos em que só chamei uma vez palavrão na
frente de vocês, grito: Foda-se (embora isto não vá ser lido por vocês. Melhor
assim).

Ah: essa é a parte em que os E-jovens entram. Lembra que eu estava lendo meus
e-mails? Pois é. Como havia mais de 150 mensagens acumuladas na caixa de entrada só
deles, fui apagando as menos interessantes (como o convite para o terceiro
travesseiro - moro em Belém do Pará, logo não posso assistir) e as que eu já
conhecia (como a do nosso querido Papa do demo, que acha que os homossexuais são
monstros pedófilos - quase quebro a televisão quando ouvi isso no Jornal das 6), e
acabei caindo em uma cheia de anexos. Bem, nos textos, ficou comprovado que há
certas "coisas" que nasceram como humanos por engano. Porque, sinceramente,
homofobia e bullying são coisas extremamente... não tenho nem como descrever isso
tudo.

Bullying não é sinônimo de bulimia, patife! Bullying é o termo americanizado de
pessoas que sofrem preconceitos e humilhações por motivos quaisquer, na maioria das
vezes sem fundamento. Um exemplo básico dessa putaria (não consigo definir de outra
maneira) foi a senhorita Momô, antes mesmo de ela se tornar Heaven&Earth_Girl,
Lenna, Mia, ou a transtornada e depressiva [M.a..e..D.e]. Ela entrou em um colégio
novo na oitava série, e logo no primeiro dia de aula foi criticada, encarnada,
zoada, sacaneada, use o termo que preferir, por um certo grupinho da classe. O final
foi meio feliz: ela se apoiou nos amigos verdadeiros que tinha e não deu bola para
os insultos, por mais graves que fossem. E depois de um ano até foi elogiada. Porém,
mesmo assim (pouca gente sabe disso) a crise depressiva já começou daí. E olhe que
ela teve sorte! Segundo de novo o Deco, 3 adolescentes se matam por dia, e por causa
de preconceito, gente! Onde vamos parar?!

E voltando a essa galerinha: o Deco levou um soco (acho que foi isso) de um idiota,
mais um outro rapaz foi expulso de um bar porque estava se beijando com outro homem,
e o pior: W...., namorado do André Marinho (me corrijam se eu estiver errada na
identificação), foi espancado quase na porta de uma boate e só não aconteceu coisa
pior com ele porque um casal o ajudou. Mesmo assim, o saldo final de tudo isso foi
um processo na justiça, uma costela esculhambada, um nariz partido, dois trogloditas
impunes e uma adolescente longe disso preocupada com o caminho do mundo. E não é
pela vaga de miss universo que estou assim.

Tá certo que nunca vi algo desse tipo aqui na minha cidade. Não que não haja
preconceito, porque há, e muito. Começando pela minha própria casa, onde minha mãe
mudava de canal quando via Clara e Rafaela e Jennifer e a doutora que esqueci o
nome, interpretada pela Milla Christie, se beijando (não as 4 ao mesmo tempo), e
pela minha própria escola, onde ao soar de um simples nome toda a classe explode em
ofensas claramente homofóbicas (sabe aquele barulhinho típico, o tal do "nhaííí"?
Pois é). Mas a coisa nunca estrapolou esse tipo de limite. Minha mãe só desligava a
tevê, não ia pro Projac tentar matar a Milla. E os bagunceiros da sala nunca foram
pra praça com o dito-cujo. Mas será que isso não acontece aqui? Será que enquanto eu
escrevo aqui alguém não está sendo enxovalhado em algum ponto da cidade só porqu é
diferente? Poxa, se eu que sou eu já fui humilhada porque era novata no colégio,
coisa qu ese resolvia rapidinho, imagine alguém que vai ser rotulado por essa porra
de sociedade pelo resto da vida? E ainda dizem que eu não tenho motivo pra me
preocupar. Como é que eu posso ficar quieta, tomando relaxada o suco de laranja que
já até acabou quando amanhã pode ser que meus amigos passem por isso? Tremo ao
imaginar a cena.

Já tenho problemas o bastante com o mundo GLS. Minha ex troca de namorada como troca de roupa, afirma que se apaixona com facilidade e vai deixando aquela fila de
meninas desiludidas para trás (e eu estou nela!), mas jura de pé junto que faz isso
sem querer, enquanto uma conhecida nossa diz que ela não sabe o que é amar (o que me
deixa em péssimo estado, pois namoramos por quase 11 meses). Meu amigo desconhecido
está em dúvida se tem uma doença incurável que pode cagar a vida dele pra sempre. O
outro garoto, com a qual só vim manter um certo grau de intimidade agora, está
lentamente se apaixonando por um garoto, e eu estou vendo ele quebrando a cara por
isso. E o último, porém não menos importante, está sofrendo com um rapaz que virou
sua cabeça, não quer nada com nada com ele, mas que fica aparecendo de vez em quando para revirar sua cabeça e me deixar silenciosamente estressada. Sem contar mais um moço que nem meu amigo é, mas que me tira do sério quando toma hormônio feminino
mesmo tendo problema cardíaco e piorando a coisa. E ainda tenho que pensar que se
eles não tomarem cuidado, um gorila vai agarrá-lo (no mau sentido) no meio da rua e
vai dizer "é só dizer que tu não é gay que a gente não te bate" (com o erro de
português. Gente assim não deve ter tido educação pra saber que isso é errado)?!

Como eu posso dormir tranquila assim? Não interessa se eles ainda são novos, se não
são assumidos, ou que seja. Acho que isso independe desse tipo de coisa. Quando a
gente quer fazer o mal, faz e bem feito. Como quando conseguiram me fazer passar por
tratamento psicológico quando contaram para a diretora do ensino médio do meu
colégio que eu namorava uma garota. Ela, a coordenadora, teve intenção boa, pois é
verdade que muitos jovens se confundem nessa época de indecisão e descoberta da
sexualidade. Mas como já tinha gostado de uma garota antes e tive de segurar a barra
sozinha (inclusive aturando ela falar do amor dela por outra garota todo dia), sabia
exatamente o que fazer, e o que iria sentir, fazendo com que todas aquelas palavras
da psicóloga sobre "não jogue tudo pro alto por causa de uma aventura" (isso eu não
faria nem por um homem) e "É normal ter dúvidas nessa época, mas não se engane sobre
o certo e o errado" fossem extremamente inúteis. Ela devia ter guardado aquilo pra
outro.

E pra encerrar toda essa confusão na minha cabeça, minha crise de carência e solidão
aumenta dia após dia. Nunca desejei tanto na vida um namorado ou uma namorada que
realmente me amasse, ou mesmo o filho que tanto quis. Antes, queria ter uma menina;
porém, depois do meu relacionamento com a Jaína, tudo mudou, inclusive meu desejo de
ser mãe. Agora, quero um garoto, um menininho sadio e feliz, e que possa sempre ser
apoiado por mim em qualquer decisão que tome, seja a de se assumir para a família,
seja a de cursar geologia (não que o curso não preste; é que se eu chegasse e
dissesse aqui em casa que iria fazer isso meus pais iriam me expulsar daqui) no
vestibular. E se não fosse pelo fato de eu ser muito nova pra engravidar e de ainda
ser virgem (por mais gostoso que seja, não acho uma relação sexual com uma garota
faça perder a virgindade, embora minha primeira vez tenha sido com uma garota e foi
quase perfeita), teria esse filho agora, nem que fosse pra me fazer ser expulsa de
casa, me dar dívidas e me fazer companhia. Além disso, o nosso querido irmão da
minha melhor amiga deu chá de sumiço e não aparece mais na internet, o que me faz
pensar que ele está com raiva de mim ou qualquer coisa assim, e isso me deixa com
medo. Ele não sabe que quando a gente ama quer sempre estar perto do outro? Além
disso, se ele tiver o mesmo jeito turrão da irmã de ignorar quem o traz ódio, isso
me deixa numa situação complicada, porque pelo menos a minha amiga estuda comigo e
eu posso cuidar dela de longe. Mas e ele?

Tem muita coisa que eu não deveria ter falado aqui. Até porque não confio nos meios
de comunicação. Vai que tem alguém que me conhece oculto na lista? Vai que quem não
deve lê o meu blog e espalha no colégio que sou bi? Vai que minha mãe descobre (isso
é algo que nunca contarei a ela)? Mas mesmo assim, tive de desabafar um pouco. Estou
cansada de engolir os sapos sozinha. Até porque ninguém comenta no meu blog, e
gritar para as paredes é meio sem graça.

Maede


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