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Heterossexismo quer impedir políticas de Aids para públicos vulneráveis

Léo Mendes 

Cerca de 64% das 1,7 milhão de pessoas que são portadoras do Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV) na América Latina e no Caribe, são homens. A Crescente discriminação de ações voltadas para homens Bissexuais, Heterossexuais e Homossexuais resulta num grande patamar de pessoas infectadas. Apesar das pessoas do sexo masculino serem menores em números populacionais, apesar dos homens não serem educados para procurar a saúde pública, através do mito da virilidade masculina, apesar do índice média de vida dos homens ser menor que os das mulheres as atuais campanhas de prevenção e assistência a Aids não levam em conta a equidade de gênero, e só se preocupam com as políticas para as mulheres grávidas, deixando de lado todas as outras mulheres que não estão grávidas.A inclusão de politicas para mulheres grávidas deve ser entendida como um processo para a garantia do direito a saúde desta população, mas não a lógica de  que esta população alvo deve substituir todas as outras: mulheres não grávidas, travestis, prostitutas, gays, usuários de drogas, bissexuais. Urge que façamos campanhas voltadas para homens e mulheres e outras identidades de gênero , reforçando sempre o fim do sexismo, do heterossexismo , do racismo, da Bifobia, da Gayfobia, da transfobia e lesbofobia. Precisamos garantir o Estado Laico, os Direitos Humanos e o direito a vida de todos e todas. 

Os Homens Bissexuais e Homossexuais (Gays) são os mais afetados pela Aids nas infecções pela via sexual. Apesar de apenas 3,2% das pessoas sexualmente ativas dizerem que são homossexuais, mais de 57% dos casos em homens se dão entre os Gays e outros HSH.o Estigma de que todo Gay, travesti, usuário de droga e prostituta é ou será um portador do vírus HIV é muito forte e resulta de uma forte discriminação cultural que vê nesses grupos vulneráveis um risco eminente para a garantia dos costumes e tradições sociais.

Há uma relação direta entre as doenças sexualmente transmitidas (DSTs) e o HIV e a falta de auto-estima, respeito e cidadania impostas especialmente as pessoas homossexuais e bissexuais. Na relação entre violência intrafamiliar e DSTs há a violência física (agressões, ataque com armas, homicídio,expulsões de casa, estupro de lésbicas, atentado violento ao pudor contra menores gays e travestis); a violência sexual (violações, abusos) e a violência psicológica (intimidação, humilhação, ameaça de morte, extorsão, tentativa de associar a sexualidade a doença ou pecado).Além disso , as pessoas matam , queimam, estrangulam, mutilam pessoas que não tem a orientação sexual Heterossexual. A Política de Aids do Governo Bush, denominada de ABC, visa atingir diretamente o trabalho de prevenção junto aos Gays, Travestis, Prostitutas e Usuários de Drogas. As declarações do Vaticano contra a Homossexualidade e uso do preservativo visa atingir diretamente homens homossexuais e bissexuais que não se enquadram na visão católica apostólica romana de que Homens devem ser heterossexuais para procriar ou para servir a Igreja.

É preciso renovarmos nossas energias e encorajar populações vulneráveis, que sistematicamente são esquecidas pelos programas de saúde pública e sem nenhum poder de organização e gestão nas políticas públicas,para a busca de seu recorte nas políticas públicas.A Cada ano , travestis, Gays, Usuários de drogas e Prostitutas  acabam perdendo espaços nos orçamentos, nos planos de ações e metas, nos incentivos aos projetos da sociedade civil para promoção da saúde de Gays, Travestis, Usuários de Drogas e Prostitutas. Os crescentes ataques de conservadores contra o apoio de governos a distribuição de seringas, aos incentivos as paradas do orgulho de gays, lésbicas, travestis,bissexuais e transexuais e as organizações que “incentivam” a prostituição , em pleno século 21, visam impedir que estes públicos vulneráveis tenham garantido um direito básico universal previsto na Declaração Universal dos Direitos Humanos, o do direito a saúde e a dignidade humana.

Léo Mendes 
Gay, neto de índio e caipira do sertão do Brasil


Hipermasculinidade leva jovem ao mundo do crime

Antônio Gois

De alguém que estuda há mais de 20 anos o fenômeno da violência urbana brasileira, seria lógico esperar pessimismo -nesse período, os números da criminalidade não pararam de crescer e de assustar quem acompanha o problema. Esse não é, entretanto, o caso da antropóloga Alba Zaluar. 

Em entrevista à Folha, a pesquisadora, uma das primeiras a estudar a infiltração do narcotráfico nas comunidades pobres do Rio de Janeiro, disse que é possível superar o problema da violência no Brasil com mais facilidade do que, por exemplo, nos Estados Unidos. "Eu diria que temos motivos para otimismo porque não somos um país de guerreiros. Nos Estados Unidos, as vizinhanças se organizaram em gangues. No Brasil, elas se organizaram em blocos de Carnaval e em escolas de samba. Isso é uma baita diferença", afirma a antropóloga. Zaluar refuta a idéia de que a pobreza e a desigualdade sejam as principais responsáveis pela violência nas grandes cidades. "Se a desigualdade explicasse a violência, todos os jovens pobres entrariam para o tráfico. Fizemos um levantamento na Cidade de Deus [conjunto habitacional favelizado, na zona oeste do Rio] e concluímos que apenas 2% da população de lá está envolvida com o crime. Como explicar que a maioria das pessoas não se envolveu com o tráfico? Certamente tem algo a mais aí", diz ela.

Segundo Zaluar, esse "algo a mais" está ligado a um "etos da hipermasculinidade", que leva alguns jovens do sexo masculino a se arriscarem no tráfico de drogas em busca do reconhecimento por meio da imposição do medo. "É preciso fazer políticas públicas mais eficientes e focadas nos jovens que estão nessa fase difícil da adolescência, para que eles possam construir uma imagem civilizada de homem, que tenha orgulho de conter a sua violência e respeitar o adversário, competindo segundo as regras estabelecidas", afirma. 

Alba Zaluar é coordenadora do Nupevi (Núcleo de Pesquisa das Violências) da Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro). A pesquisa dirigida por ela na Cidade de Deus, nos anos 80, deu origem ao seu livro "A Máquina e a Revolta" (editora Brasiliense). Integrante na época de sua equipe de pesquisadores, Paulo Lins escreveu "Cidade de Deus", origem do filme de mesmo nome. Nem o livro nem o longa-metragem agradam à antropóloga, que está lançando neste mês um novo livro sobre a violência ("Integração Perversa"). 

A Folha tentou entrar em contato com o escritor Paulo Lins para que ele tivesse a oportunidade de responder às críticas da antropóloga Alba Zaluar ao seu livro "Cidade de Deus". Na tarde de sexta-feira, foi enviada uma mensagem para o e-mail do escritor, mas não houve resposta até o fechamento desta edição. Nos números fornecidos pela assessoria de imprensa da Companhia das Letras (editora que publicou "Cidade de Deus"), não foi possível deixar recado para Lins. 

Leia a seguir os principais trechos de sua entrevista. 

Folha - A violência nas regiões metropolitanas brasileiras aumentaram muito nos últimos anos. Por que, apesar disso, a senhora diz que temos motivos para otimismo? 
Alba Zaluar - Eu diria que temos motivos para otimismo porque não somos um país de guerreiros. Nunca nos envolvemos, por exemplo, em guerras mundiais. Nossos heróis são jogadores de futebol, sambistas e artistas. Somos um país que valoriza muito o espetáculo e que reconhece que o
talento pode aparecer em qualquer classe social. Nos Estados Unidos, o [diretor Martin] Scorsese nos mostra [no filme "Gangues de Nova York"] que as vizinhanças se organizaram, desde o século 19, em gangues. No Brasil, as vizinhanças se organizaram em blocos de Carnaval e escolas de samba. Isso é uma baita diferença. Até hoje, os chefes do tráfico no Brasil ganham apelidos no diminutivo, como Fernandinho ou Escadinha. Nos Estados Unidos, os apelidos são de animais ferozes ou nomes de
guerreiros africanos. Esse é um indicativo de que nosso etos guerreiro não é tão forte quanto o de lá. Isso mostra que é possível superá-lo com mais facilidade. 
 

Folha - Então por que estamos tão violentos?
Zaluar - É preciso ter políticas públicas para superar isso. Houve no Brasil um fraquejo institucional do Estado. É preciso mudar nossa polícia e o Judiciário para que a impunidade diminua, especialmente nas classes mais privilegiadas. É preciso, por exemplo, achar uma maneira de valorizar o profissionalismo na polícia. Hoje, os governos acabam indicando os delegados e chefes de batalhão por critérios políticos. Os Estados têm que acabar com o bairrismo e trabalhar em conjunto. 
 

Folha - Em que período a senhora identifica o início desse fraquejo do Estado?
Zaluar - No que diz respeito à polícia, isso é claro durante a ditadura militar [1964-1985]. Nesse período, tudo foi permitido à polícia. A imprensa estava amordaçada e ninguém podia denunciar abusos. A maneira de combater a corrupção é criar mecanismos internos de controle e não
amordaçar ninguém. É preciso ter mecanismos por meio dos quais as pessoas atingidas pela violência policial possam fazer reclamações sem temer pela própria vida. 
 

Folha - Pobreza e desigualdade não são também elementos fundamentais para explicar a violência?
Zaluar - A idéia do nosso projeto no Nupevi é ultrapassar a argumentação simplista do determinismo econômico que faz com que se pense que toda a questão da violência e da criminalidade possa ser explicada apenas pela pobreza e pela desigualdade. Trabalhamos com a idéia de um modelo de
complexidade. Levamos em conta vários elementos que se arranjam de uma determinada forma que acabam provocando essa combustão. Estamos falando apenas que a pobreza, só, não explica o fenômeno. É bom lembrar que esse é um fenômeno que aparece na década de 70. Não é verdade dizer que isso surgiu somente agora. Ao determinar a pobreza como causa da violência, estamos dando um peso que ela não tem e facilitando a criminalização dos pobres, porque leva à conclusão de que são eles os criminosos. Isso justificaria o fato de termos 90% de pobres entre nossos prisioneiros, quando sabemos que há juízes, banqueiros, comerciantes, deputados, senadores e governantes envolvidos no mundo da atividade criminosa. 
 

Folha - Mas a existência de um contingente grande de jovens pobres que convivem diariamente com a desigualdade não é um fator que facilita a entrada deles no tráfico de drogas?
Zaluar - Não estamos dizendo que a pobreza e a desigualdade não têm nada a ver com o problema. Há várias pesquisas que mostram que os Estados mais pobres do Brasil são também os menos violentos. Londrina é uma cidade riquíssima para os padrões brasileiros, mas é violenta. Campinas também. Nos Estados, percebe-se também que os municípios mais pobres são menos violentos. Uma parte da explicação dessa questão está no fato de as regiões metropolitanas atraírem mais imigrantes. Essa concentração de muita gente nessas regiões sem emprego e sem alternativa facilita a atração para as atividades do tráfico. Mas não são todos os que são atraídos, e é aí que está o mistério. Se a desigualdade explicasse a violência, todos os jovens pobres entrariam para o tráfico. Fizemos um levantamento na Cidade de Deus e concluímos que apenas 2% da população de lá está envolvida com o crime. Como explicar que a maioria das pessoas não se envolveu com o tráfico? Certamente tem algo a mais aí. 
 

Folha - E o que seria esse algo a mais?
Zaluar - Parece-me o fato de que alguns se deixam seduzir por uma imagem da masculinidade que está associada ao uso da arma de fogo e à disposição de matar, ter dinheiro no bolso e se exibir para algumas mulheres. A partir de entrevistas que minha equipe fez com jovens traficantes, definimos isso como um etos da hipermasculinidade. Esse é um fenômeno que está sendo muito estudado nos EUA e na Europa e diz respeito a homens que têm alguma dificuldade de construir uma imagem positiva de si mesmos. Precisam da admiração ou do respeito por meio do medo imposto aos outros. Por isso se exibem com armas e demonstram crueldade diante do inimigo. 
 

Folha - Como combater a construção dessa imagem?
Zaluar - É preciso fazer políticas públicas mais eficientes e focadas nos jovens que estão nessa fase difícil da adolescência, para que eles possam construir uma imagem civilizada de homem, que tenha orgulho de conter a sua violência e respeitar o adversário, competindo segundo as regras estabelecidas, como acontece nas competições esportivas e na disputa dos desfiles de escolas de samba. No último capítulo do meu novo livro, eu relato a experiência que tentei desenvolver em escolas públicas do Rio. Conseguimos ter resultados positivos ao desenvolver o projeto Mediadores da Paz, que tentava mostrar aos jovens a importância de negociar os conflitos por meio das palavras e como isso podia trazer para eles respeito próprio e das outras pessoas. Nesse projeto, incentivávamos jovens a mediar conflitos entre colegas. 
 

Folha - A senhora faz duras críticas ao livro e ao filme "Cidade de Deus", mas eles não retratam bem essa questão da construção do etos da hipermasculinidade?
Zaluar - O Zé Pequeno [um dos principais personagens do filme] seria um exemplo dessa hipermasculinidade, mas, na minha opinião, o problema de "Cidade de Deus" é muito mais sério. Em primeiro lugar, o Paulo Lins fez o livro sem consultar as pessoas envolvidas. A pesquisa acadêmica é uma coisa séria. Eu emprestei a ele toda a pesquisa que fizemos na Cidade de Deus. Esse material tinha o depoimento do único sobrevivente da guerra [entre traficantes] retratada no filme, que é o Ailton Batata, que aparece no romance com o nome de Sandro Cenoura. Além disso, há uma série de impropriedades no romance. Nunca existiu, por exemplo, aquele bando de meninos ainda com dente de leite dando tiro nas pessoas. Isso é mentira, e é muito sério porque cria uma imagem sobre as crianças que vivem nesses locais que não é verdadeira. A própria história do Zé Pequeno é contada como se ele já tivesse nascido ruim. É uma volta à teoria do criminoso nato, que, do ponto de vista da criminologia, já está completamente superada. 
 

Folha - Como a senhora vê a forma como a imprensa tem tratado a questão da violência urbana?
Zaluar - Estou menos preocupada hoje do que já estive. Já não vejo mais tantas fotos de traficantes e de matadores colocadas nas primeiras páginas dos jornais com destaque enorme. Isso dá fama a essas pessoas e é mais uma atração para os jovens em busca dessa fama. Os traficantes já são conhecidos pela sua dureza, mas, quando a foto deles aparece nos jornais, isso contribui mais ainda para essa fama. Infelizmente, os jornais ainda continuam dando nomes, o que contribui para a permanência do círculo vicioso de atração dos jovens. 
 

Folha - A senhora é uma das especialistas mais procuradas pelos jornalistas para comentar casos de violência. Os jornais não acabam falando sempre com os mesmos especialistas?
Zaluar - Recentemente, fui procurada para comentar a rebelião em Benfica [que resultou na morte de 30 detentos e de um agente penitenciário na casa de custódia da zona norte do Rio, em maio]. Disse ao jornalista que não sabia nada sobre esse assunto e indiquei outros especialistas. Quase sempre aparecem as mesmas pessoas nos jornais. Em alguns casos, é gente que entende muito pouco do assunto e diz qualquer coisa só para aparecer. Isso acaba alimentando essa "Darlene" que existe dentro dos intelectuais. Tem que haver seriedade no tratamento dessa questão.



Hebifobia

Em alguns textos do E-jovem é comum aparecer o termo hebifobia. Este é um termo raro. Tão raro que não há registros de sua utilização no Brasil, a não ser aqui. Na verdade, a palavra foi usada pela primeira vez por Deco Ribeiro e por um bom tempo ele achou que a havia criado. Foi uma surpresa quando descobrimos que os americanos já utilizavam formas bem parecidas (ephebiphobia e hebephobia) e com os mesmos significados. A partir desse ano, lutar contra a hebifobia é parte integrante da missão do Grupo E-jovem. Segundo Deco Ribeiro, hebifobia é simplesmente “o sentimento de que todo adolescente é idiota e não sabe o que faz.” O conceito utilizado por psicólogos americanos é um pouco mais abrangente.

Segundo eles, Hebifobia (do Grego 'hebe' = jovem e 'fobos' = medo, aversão), é o medo irracional de adolescentes ou da adolescência, bem como o preconceito contra adolescentes, principalmente aqueles menores de idade. É uma fobia social comparável à xenofobia ou à homofobia.

Definições

A Hebifobia pode se manifestar das seguintes formas:

• medo irracional de estar perto, junto ou na companhia de adolescentes;

• o preconceito por causa da idade (etário) contra adolescents e menores de idade, ou a discriminação derivada desse preconceito; 

• o medo, preconceito, ódio, intolerância ou discriminação contra relacionamentos amorosos entre adultos e adolescents; 

• o medo, pânico ou histeria irracional, geralmente com apoio da mídia, relacionado a tudo que diz respeito à liberdade social ou comportamental de adolescentes (baseado na crença de que tal comportamento seria mais apropriado para adultos). 

O conceito engloba o medo irracional frente a uma série de situações, indo de sexualidade adolescente, gravidez adolescente, gravidez infantil e maternidade adolescente até propostas de mudanças na lei para garantir mais direitos aos jovens, como a redução da idade de voto, da idade de maioridade, da idade de casamento, da idade de consentimento sexual, da idade de candidatura a cargos eletivos ou na garantia de mais direitos aos estudantes. No Brasil, um exemplo de hebifobia estimulada pela mídia é o verdadeiro pânico que se instaura a qualquer manifestação estudantil pelo passe livre, por exemplo.

Adultocentrismo

Adultocentrismo é uma forma de discriminação contra adolescentes só por causa de sua pouca idade. Como se só aquilo que o adulto pensa ou faz fosse válido e só seus interesses fossem importantes. Adolescentes vítimas de adultocentrismo reclamam que esse foco apenas na idade faz com que muitas pessoas os estereotipem incorretamente, afirmando, por exemplo, que todos os adolescents são igualmente imaturos, violentos ou rebeldes. acreditam que deveriam ser tratados Alguns jovens organizam grupos para serem tratados com mais respeito por parte dos adultos e não como cidadãos de segunda classe. Um número crescente de sociólogos têm considerado a discriminação contra jovens, o adultocentrismo e a hebifobia como graves problemas para se avaliar a real condição dos adolescentes em nossa sociedade. 

Formas patológicas de hebifobia

Em casos extremos, formas patológicas de hebifobia podem ser observadas, especialmente quando associadas a atos violentos (geralmente, mas nem sempre, resultando em atos criminosos).

Possíveis comportamentos patológicos incluem, entre outros, o seguinte: 

• encarcerar adolecentes em casa por longos períodos de tempo, ou utilizando algemas (por qualquer período de tempo), usualmente para prevenir que o jovem vá a festas, ao shopping, ao cinema ou qualquer outro lugar onde eles possam potencialmente desenvolver algum relacionamento social ou amoroso; 

• humilhar vigorosamente um adolescente em público; 

• esconder compulsivamente ou obssessivamente uma adolescente grávida de olhares públicos (como se ela tivesse uma doença contagiosa), chegando até a se mudar ou viajar para outro lugar (bairro, cidade região ou país) com o único propósito de esconder a gravidez; 

• Coagir ou induzir uma adolescente a abortar à força, por meio de violência, uso de terror ou qualquer tipo de ameaça (como se o bebê fosse propriedade do agressor). 

Artigo 232

O Estatuto da Criança e do Adolescente, em seu Artigo 232, diz que é crime “submeter criança ou adolescente sob sua autoridade, guarda ou vigilância a vexame ou a constrangimento.” A pena é de detenção de seis meses a dois anos. Esse artigo é muito sério. Bem administrado, ele praticamente criminaliza tanto a homofobia quanto a hebifobia quando praticada por um pai ou um professor contra um adolescente. Um prato cheio para quem pretende combater o adultocentrismo – e uma vantagem que só os E-jovens têm, infelizmente. Para os adultos, o racismo é crime, mas a homofobia não. A eles cabem guardar os jovens e dar-lhes segurança, não ódio, discriminação e omissão.

Jovem, reaja!! Hebifobia e homofobia são crimes contra o adolescente. Se você se sentir discriminado, denuncie. 

Deco Ribeiro
é fundador do E-jovem



Homofobia na Escola
Meninos agridem mais outros alunos gays e são muitas vezes estimulados pelos professores

Deco Ribeiro

Nikky (ela prefere usar o apelido) se orgulhava de ser aluna de uma escola particular tida como ‘liberal’ em Santos. Não precisava usar uniforme completo, podia usar piercings e ela até já foi pra escola de moicano, um penteado punk com pontas de um palmo de altura. Casais de namorados podiam se beijar à vontade, ao contrário de outras escolas, e ela não pensou duas vezes antes de beijar sua namorada no pátio do colégio. A reação foi devastadora. “Um amigo meu veio me dizer que achava que eu quis aparecer, que se eu queria ser lésbica, que  fosse entre quatro paredes. Que as pessoas não eram obrigadas a ver isso”.

Essa intolerância é enfrentada por milhares de alunos e alunas homossexuais da rede de ensino todos os dias. Parte dessa intolerância acaba resultando em violência escolar. “Eu sofri agressões físicas, verbais e ‘tecnológicas’,” desabafa Augusto Kobayashi, aluno do ensino médio e assumidamente homossexual. “Levava socos, chutes, cotovelatas, joelhadas e empurrões.” Augusto ainda diz que o grupo de meninos que o importunava, não satisfeito com as agressões físicas e verbais, espalhavam pelos computadores da escola imagens dele caracterizado como travesti e com as unhas pintadas de rosa (imagem ao lado).

Fenômeno masculino
Segundo pesquisa da UNESCO divulgada em 2004, 28% dos alunos do ensino fundamental e médio do estado de São Paulo não gostariam de ter homossexuais como colegas de classe. Essa proporção aumenta se enfocarmos apenas os alunos do sexo masculino: cerca de 41% dos meninos não toleram colegas gays ou lésbicas. 

No livro “Juventude e Sexualidade”, resultado de uma pesquisa da UNESCO sobre AIDS, Drogas e Violência das Escolas, fica claro que a discriminação contra homossexuais (também chamada de homofobia), ao contrário das de outros tipos, é não apenas mais abertamente assumida, pelos meninos, como é valorizada por eles, o que sugere um padrão de afirmação de masculinidade. “A homofobia pode expressar-se numa espécie de terror de não ser mais considerado como um homem de verdade”, afirmam as pesquisadoras. 

Segundo a mesma pesquisa, “bater em homossexuais” foi classificada pelas meninas como a terceira forma de violência mais grave, atrás apenas de “atirar em alguém” e “estuprar”, enquanto para os meninos ela ocupa apenas a sexta posição, atrás de “usar drogas” ou simplesmente “andar armado”. 

Essa conclusão encontra eco entre outros pesquisadores e profissionais que lidam com jovens, dentro e fora do Brasil. O holandês Theo van der Meer, que entrevistou mais de 300 agressores de homossexuais condenados, concluiu que todos são homens e sofrem de uma auto-estima baixa ou exageradamente alta. Para esses jovens, bater em homossexuais – que eles consideram fracos e afeminados – seria como um ritual de passagem, uma afirmação de força. Murilo Moura Sarno, médico do programa da Saúde da Família de São Paulo e que conversa com alunos da rede pública sobre sexualidade, já presenciou esse potencial de agressão. “Um aluno da oitava série afirmou categoricamente que se encontrasse um casal gay num shopping, iria esperar na garagem com um bastão de ferro para quebrar a cabeça dos dois até matar o casal,” afirmou o médico. “E foi apoiado pelos outros amigos”.

Professores preconceituosos
João Augusto, aluno homossexual de um cursinho pré-vestibular em São Paulo, se sente extremamente ofendido com as diversas piadinhas feitas pelos professores – quase todas tendo gays como alvo. “Como fazer com que essas piadinhas acabem, sem me expôr?”, questiona ele. “O que fazer quando as pessoas que deveriam nos proteger em sala são as que mais agridem?” 

Segundo a UNESCO, isso é normal. “Muitas vezes os professores não apenas silenciam, mas colaboram ativamente na reprodução de tal violência,” afirma a pesquisa. Os dados mostraram que apenas 2,3% dos professores do estado não gostariam de ter alunos homossexuais. “Mas alguns consideram que as brincadeiras não são manifestações de agressão,” ressalta a pesquisa, “naturalizando e banalizando expressões de preconceito.”

Todos os especialistas consultados concordam que o silêncio é a pior forma de se lidar com o assunto. “Precisamos de intervenções mais sérias nas escolas,” sugere o médico Murilo Sarno, “Primeiro sobre  cidadania, depois sobre sexualidades, todas elas.” A conclusão da UNESCO vai além e pede por investimentos em uma “cultura de convivência com a diversidade” que até pode se valer da informação, mas que deve se utilizar, principalmente, do “debate e o questionamento das irracionalidades que sustentam discriminações.”

Os alunos fazem coro. “Falta diálogo,” diz Nikky. “Na minha classe um certo professor se referia às lesbicas como 'sapatonas machos e etc'. Um dia cheguei pra ele em particular e disse que aquilo me ofendia. Nunca mais ele falou.” Augusto acha que a escola simplesmente não enfoca o assunto. “Assim como temos aulas de biologia e história, deveriam reservar algumas aulas para tratar de cidadania, direitos e deveres, promover um debate entre os alunos, levar palestrantes, mostrar que os homossexuais não têm nada de diferente. As pessoas tendem a ter preconceito daquilo que nunca tiveram contato e esse debate ajudaria e muito no combate à discriminação contra os homossexuais e contra todos os outros tipos de minorias.”



A visão de um E-jovem

Renato tem 15 anos e é um E-jovem de Recife (PE). Não só isso: ele é um dos coordenadores do E-Recife, o Grupo E-jovem de lá!! Sabendo do nosso tema desse mês, ele resolveu ir na sua própria escola e, conversando com seus próprios amigos, teceu ele mesmo um panorama bem legal do preconceito existente. Repare como suas conclusões não são muito diferentes da matéria acima - escrita em SP - o que comprova que esse fenômeno vergonhoso se estende realmente de norte a sul do país.

Deco =]

O Preconceito Nas Escolas

"Tenho medo de ir para a meu colégio e ser agredido por alguém por minha opção sexual." 
(R.C.L., 15 Anos) 

O medo vai tomando conta dos E-Jovens de todo Brasil. Muitos chegam até a deixar de estudar por conta do preconceito que há em sua escola, outros vão, mas vão com medo. "A cada dia que se passa, fico admirado com tanto preconceito nas escolas," diz Anna, 46 anos, mãe de um aluno gay. "A cada dia que se passa, parece que as coisas pioram."

Os índices de preconceito e violência nas escolas estão aumentando cada vez mais e até professores e coordenadores sofrem com isso. Isabela, 16, estudante, ficou muito triste com um amigo seu ao presenciar uma forte cena de preconceito. "Ele tirava sarro da cara do professor só porque ele é homossexual e dança em uma quadrilha," diz ela muito desapontada. "Infelizmente eu não podia fazer nada..." E infelizmente somos 'obrigados' a ver e aceitar isso. 

Hoje em dia, os jovens não respeitam seus próprios pais - se você vai na esquina comprar pão, tem filho brigando com pai, se você abre o jornal tem uma reportagem enorme dizendo que filho mata pai -, quem dirá os professores e etc?! 

E isso é só um pouco do que se passa em nossos colégios, que fazem 'de tudo' para acabar e/ou diminuir o preconceito. Por sorte de uns, alguns colégios têm um bom resultado, já em outros é totalmente o contrário. 

Por que tanto jovem bonito, feliz, brincalhão, mas com tanto preconceito? Isso leva alguém a algum lugar? Claro que não! Se nós quisermos ser pessoas admiradas por todos, pessoas que todos gostam e
respeitam, temos que respeitar a qualquer um, a qualquer diferença que as pessoas tem, afinal, não somos iguais, e são essas diferenças que fazem do ser-humano pessoas marcantes em nossa vida.

Renato, 15
E-Recife (PE)

Depoimentos: 

Quanto ao Preconceito Sofrido Pelos Homossexuais:

"O que me fez sofrer mais foi quando descobri que minha amiga tem preconceitos com lésbicas." (M.C., 14 anos), desabafando sua dor.

"Ao tocar o alarme do intervalo do meu colégio, quando fui me direcionando para as escadas levei um chute forte, senti um choque em meu corpo." (R.C.L., 15 anos)

"Toda vez que passo por um grupo de pessoas em meu colégio, sou xingado, abusado, e desmoralizado." (B., 15 anos)
 

Quanto a "O que fazer para diminuir o preconceito":

"Acho que primeiramente começamos influenciando aos nossos amigos que têm preconceito." (L. P., 17 anos)

"Acho que conversa, campanhas.... tudo isso ajuda muito no combate ao preconceito." (B. K., 17 anos)

"Sinceramente, não sei o que fazer, mas acho que temos que ter em mente que são todos normais." (K., 15 anos)

Quanto ao "choque" ao saber que seu amigo era gay ou lésbica:

"Foi tudo muito normal, eu não imaginaca isso dele, mas já que é, num posso fazer nada. Eu gosto dele assim mesmo." (P.V., 14 anos)

"Eu nunca imaginava isso do meu amigo, mas estou lhe dando o maior apoio, a escolha é dele, a vida é dele, não tenho porque ficar sem falar com ele." (F.A., 18 anos)

"Eu ficava tirando onda com a cara dele, dizendo: 'R., nunca pude imaginar isso de você...' Mas foi só arriação mesmo, ando muito com ele e o ajudo nos podres dele... <risadas>." (T., 16 anos)

Sobre as agressões:

"Já vi muitas, inclusive com minha amiga que é lésbica, infelizmente isso acontece." (P.M., 14 anos)

"Eu já vi meu amigo sendo agredido por um menino, fui correndo chamar uma pessoa para ajudá-lo, tive pena dele." (I., 15 anos)

"Ainda não presencicei nada, e espero não presenciar." (I. C., 16 anos)

Renato entrevistou meninos e meninas, hetero e homossexuais.

Outras reportagens:
Escola
Família
Amigos
Verão
Alistamento
Orgulho
Camisinha
Virgindade
Punheta
Religião
Travestis


 
Orgulho Viado
A palavra VIADO te incomoda? Vamos acabar com isso!!

Gente, o que vcs acham da palavra VIADO? Particularmente, eu percebo que, atualmente, é uma das palavras mais usadas pra nos atacar, por heteros. Não é "sua bicha", "seu homossexual" ou "seu gay" - é "SEU VIADO!!".

Por outro lado, é uma palavra que evoca uma imagem tão fofa, o veadinho (mesmo sua origem estando em transviado, e não no bicho), comumente utilizada em conjunto pra nos zoar: é o Bambi, o 24 (numero do veado no jogo do bicho), as renas do Papai-Noel...

Aí eu pensei. Esse lance das palavras é tão relativo, né? VIADO nos ofende porque a gente se deixa ofender, uma vez que não deriva de uma característica nossa - ao contrário de NEGRO, que evoca a cor da pele, ou outros piores. Pro racista, ter a pele negra é o que há de mal e ser lembrado disso é o que incomoda. Agora, o que há de mal em ser VIADO? Eu já cansei de ouvir "Isso é coisa de viado" e responder "Ainda bem, já que eu SOU viado mesmo!"

Aí eu fui dar uma pesquisada nesse sentimento meu, de afeição ao termo VIADO... E descobri que nos EUA aconteceu a mesma coisa, recentemente, com a palavra QUEER. Queer significa "estranho, esquisito" e era usado por outros pra se referir aos homossexuais (principalmente os afeminados) como seres estranhos. Até que os próprios gays (e lésbicas e até travestis e transexuais) se apoderaram do QUEER e passaram a assumir isso. Queer lá nos EUA agora é o equivalente ao nosso GLBTT - significa
toda a diverisdade sexual e é usado em festivais de cinema queer, livros queers, eventos queers... E, adivinha? Perdeu a graça chamar alguém de QUEER nos EUA. É o famoso "Sou mesmo."

O que me trouxe de volta ao VIADO. No primeiro ano da faculdade eu me assumi gay. E, a cada VIADO que escutava, respondia na lata "Sou mesmo." Hoje estou no quarto ano e ninguém me agride mais me chamando de VIADO. Os poucos que falam são os amigos, que já usam esperando minhas respostas, que eles adoram. Outro dia eu cheguei na facul com um caderno que tinha o Júnior (sem a Sandy, uó) na capa. "Mas que caderno de VIADO, hein?", falaram. "É, né? Eu TIVE que comprar!!", respondi sorrindo.

CONCLUSÃO: Eu acho que chegou o momento de lançarmos o Orgulho Viado. Nós, gays, porque as lésbicas já saíram na frente a assumiram a Sapa (de sapatão, mas também associada à sapinha, à pererequinha) há muito tempo - uma sapinha está até no logotipo do grupo lésbico Umas & Outras
e é muito fofa!! Acho que é a hora de assumirmos o VIADO e o veadinho também, com orgulho. O Veado aparece em vários brasões europeus, pq sempre foi sinônimo de força, velocidade, agilidade e esperteza. Só aqui que a gente aceita essa derubada do bichinho, coitado.

Não mais. =]

Ajude a espalhar esses banners e linke para essa página! Quem aí tem coragem de levantar o Orgulho Viado junto comigo? Vamos fazer camisetas, broches, bottons, chaveiros com a placa do viadinho! Vamos mostrar que tem viado na pista sim!! =]

Deco Ribeiro
é fundador do E-jovem.com

Respostas ao chamado:

"Deco, os  idiotas que usam a expressão "VIADO" para nos atacar desconhecem que na Europa muitos dos brasões da nobreza usam esse animal como forma de representar força e agilidade, os druídas da velha Inglaterra e Terras Altas tinham em seu panteão o gamo (espécie de veado) como símbolo da realeza e, em seus cultos de fertilidade, sacerdotes usam máscaras com galhadas de gamo selvagem para representar o masculino nessas cerimônias.
A expressão "Viado" nunca me ofendeu porque me assumi ao 16 anos e sempre zoei de minha
própria sexualidade, não deixando margem para que os outros usassem expressões mais pejorativas
para me ofender.
Marcus Brombila"

"Gostei da idéia Deco! Concordo com tudo isso que vc disse!
ORGULHO VIADO JÁ! =)
[urbano]"

"Huahuahuah, achei ótema a idéia!!
Dava ateh pra gente mandar fazer uns brochinhus de um veadinhu cartunesco 
bem fofo!! =D
Dava pra mudar radicalmente a visão das pessoas com isso!! ^^
Bjus do Kid, o Dudu que continua punk!"

"Adorei a ideia do brochinho!!! 
Quando estiver à venda com certeza eu quero um também!
Beijos a todos
Carlos"

(comentários retirados de mails da Galera E-jovem)


 
Genocídio gay
Suicídio entre jovens gays chega a ser até 8 vezes maior que a média brasileira – uma verdadeira tragédia, que ocorre ano após ano. Até quando?

Luiz Mott é sem sombra de dúvida um dos maiores especialistas em violência contra homossexuais do Brasil. Responsável pelo arquivo de registros de assassinatos do Grupo Gay da Bahia (GGB), Mott é incansável na sua luta pela divulgação desses números, que parecem crescer a cada contagem: cerca de 160 gays, lésbicas, bissexuais e travestis são mortos todos os anos no país, praticamente um a cada três dias. 

Imagine a surpresa, então, ao contabilizarmos os dados de uma pesquisa do Grupo E-jovem sobre o suicídio de jovens gays e descobrir que a taxa de adolescentes que se matam por causa do preconceito é de mais de mil por ano – uma média de três por dia. Ou seja, se somarmos estes números ao apresentado pelo GGB, temos a trágica marca de 10 jovens gays perdendo a vida a cada três dias. E a culpa? Da homofobia presente na sociedade brasileira.

Infelizmente, essa não é uma tragédia que ocorre só no Brasil. Por todo o mundo, adolescentes e jovens homossexuais são contabilizados como baixas dessa verdadeira guerra civil travada dentro de nossas próprias casas. O número, praticamente a mesma quantidade de soldados americanos mortos no Iraque ano passado, choca mais ainda quando analisamos cada caso a fundo – e descobrimos que a grande maioria dos que se matam, o fazem por terem sido repetidamente agredidos ou abandonados pelos próprios pais, familiares e amigos da escola. Ou pior: por medo de sofrerem essa rejeição à sua orientação sexual. 

Segundo a organização Lambda Education, que pesquisa o suicídio entre jovens gays europeus, concluiu que os adolescentes GLBT respondem por 4 dentre 5 suicidios entre jovens na Alemanha, onde estima-se que entre 1.000 adolescentes se matam por ano. Portanto, 800 destes são gays. Além disso, 18% de todos os adolescentes gays já tentaram ao menos uma vez o suicídio. Os motivos? Ao anunciar sua homossexualidade, mais de 50% dos adolescentes receberam uma reação negativa da família. Destes, 66% afirmaram sofrer violência verbal e até física. Mais de 50% dos adolescentes gays afirmaram (ab)usar de substâncias nocivas (cigarros, álcool e drogas) para amenizar esse tipo de mal-estar. E estas mesmas estatísticas são encontradas tanto no Japão quanto nos EUA, como confirma os Drs. Christopher Bagley e Pierre Tremblay, da Universidade de Calgary, que estimam que de cada 10 meninos que cometem suicídio, entre 7 e 8 são gays.

Ao trazermos estes mesmos números para o Brasil, nos deparamos com os números chocantes acima: de acordo com o Centro Latino-Americano de Estudos de Violência e Saúde da Fundação Oswaldo Cruz, de cada 100.000 jovens de 15 a 24 anos, 4 se matam a cada ano, num total de 1320 para um montante de 33 milhões, segundo o IBGE. Se supormos que de cada 5 mortes, 4 são de homossexuais, como acontece em outros países, chegamos ao total de 1056 suicidas gays – para uma população de jovens gays estimada em apenas 3,3 milhões (10% do total). Isso dá uma taxa da morte de 32/100 mil: 8 vezes mais que a média brasileira de 4/100 mil e 4 vezes mais que a média mundial de 8/100 mil.

As vítimas da homofobia em todo o mundo, no entanto, têm um ponto em comum: são em sua maioria do sexo masculino, numa proporção que chega a 6 pra 1. Pesquisa sobre homofobia nas escolas, publicada esse ano pela UNESCO , parece apontar para uma explicação: meninos tem muito mais preconceito contra a homossexualidade de outros meninos do que as meninas – e também são muito mais propensos a agredirem seus colegas homossexuais, até mesmo como demonstração de masculinidade, num rito de passagem machista e sexista, que valoriza a discriminação. 

Segundo Deco Ribeiro, presidente do Grupo E-jovem e um dos coordenadores dessa pesquisa, o grande problema é que o jovem que é alvo dessa violência, não tem a quem recorrer. “Muitos professores são os primeiros a fazer piadinhas de homossexuais. E os pais são os atores mais conservadores de todo esse cenário: ainda custa muito para um pai e uma mãe aceitarem um filho gay, uma filha lésbica. Travesti então, nem se fala!”

Custa muito mesmo. Custa a vida de muitos filhos, irmãos, sobrinhos, netos. Garotos de 12, 14, 16 anos, que tiram a própria vida por não suportarem mais viver diante da cobrança de mudar uma característica tão própria deles, e aomesmo tempo tão natural. “Ninguém é gay porque quer,” diz Deco. “Mas pedir pra eu deixar de ser é como pedir pro meu olho deixar de ser castanho e virar azul. Simplesmente não dá.”

O Grupo E-jovem anunciou publicamente em seu site que vai buscar monitorar essa taxa de suicídios entre os jovens brasileiros, junto a centros especializados como o Departamento de Medicina Preventiva e Social, da UNICAMP, e que levantar essa bandeira, para um grupo que é referência no trato aos direitos de adolescentes gays e lésbicas, é mais do que uma obrigação: é uma responsabilidade. “Esses suicídios são mais do que aparentam. São assassinatos sociais,” declara Deco Ribeiro, taxativo. “Cada vez que um menino prefere se matar a ter de ir a escola e ser humilhado de novo ou chegar em casa à noite e apanhar do pai homofóbico, foi a sociedade que falhou. O recado é claro: o garoto morreu porque não foi aceito no mundo em que vivia. Porque amava diferente de seus colegas e de seus pais. Que gente monstruosa é essa, que mata um filho a cada 8 horas??”

Adolescentes gays representados no IV Fórum de Protagonismo Juvenil 

Brasília será sede, nos dias 26 e 27 de março, do IV Fórum de Protagonismo Juvenil, um espaço criado em 2001 para levar os próprios jovens a debater temas ligados a Educação, Cultura, Saúde e Qualidade de Vida, Meio Ambiente e Políticas Públicas. Nessa edição, uma novidade: a presença do Grupo E-jovem, como convidado especial, representando os adolescentes gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros. O Grupo E-jovem foi convidado por ter sido um dos 8 projetos escolhidos, dentre mais de 130 ONGs de todo o país, para fazer parte do livro que a ONG Aracati e a Fundação Kellogg
vão lançar no segundo semestre de 2005, Histórias de Mobilização Juvenil. O grupo foi a única ONG GLTTB selecionada. 

"Isso não significa que somos melhores que outros projetos que ficaram de fora," explica Deco Ribeiro, presidente do E-jovem, "Mas não deixa de ser um reconhecimento por termos sido pioneiros a lidar de maneira séria com o adolescente gay e lésbica". O Grupo E-jovem está viajando nesta sexta-feira para Brasília, com 4 membros que tiveram todas suas despesas custeadas pela organização do evento. "Essas bolsas permitiram que levássemos representantes de vários estados: cariocas, paulistas e até gaúchos," diz Deco. A idéia é encontrar em Brasília com outros membros do Grupo E-jovem do DF. 

Oficinas 
O E-jovem irá aproveitar os cerca de 500 jovens que são esperados nesse Fórum para levantar a temática da diversidade sexual para um público não acostumado a encará-la. Serão apresentadas três oficinas pelo grupo: uma sobre o uso do RPG como ferramenta de ensino e capacitação, uma sobre o vídeo "Pra que time ele joga?, sobre prevenção e discriminação, e uma sobre o Projeto Escola Jovem, o projeto do Grupo E-jovem de levar esse debate direto para as salas de aula de todo o Brasil. "Bater em homossexuais é como um ritual de passagem, uma afirmação de masculinidade, principalmente entre os meninos," afirma Deco Ribeiro, "E o silêncio é a pior forma de se lidar com o assunto." 

Retiro
Logo após o IV Fórum o Grupo E-jovem e mais 7 ONGs selecionadas participarão de uma troca de experiências entre jovens ativistas de várias partes do Brasil, entre os dias 28 e 31, num resort ecológico a 45 km de Brasília. Com o tema "Jovens costurando a unidade na diversidade", a proposta, segundo Antônio Lino, da Aracati, é o grupo passar por um processo de imersão para compartilhar suas idéias e refletir sobre suas ações. O encontro será todo gravado para ser convertido em um documentário pela jornalista Neide Duarte, que já foi do Fantástico e hoje está na TV Cultura. 

Grupo E-jovem 
O Grupo E-jovem surgiu em 2001 como o site E-jovem.com, o primeiro site a informar e dar apoio exclusivamente ao adolescente homossexual. Hoje são mais de 1.400 jovens articulados pela Internet e aproximadamente 240 fora da rede, desenvolvendo ações como o Projeto Escola Jovem, de combate à homofobia nas escolas, e participando de programas de prevenção ao HIV. Tem suas principais atividades concentradas em Campinas, São Paulo, Porto Alegre, Rio de Janeiro e Curitiba e cada grupo local está articulado de forma diferente ao movimento GLTTB da sua cidade. Mais informação em
http://www.e-jovem.com 
 

IV Fórum de Protagonismo Juvenil 
http://www.protagonismojuvenil.org.br/forum
26 e 27 de março de 2005 
das 8 às 18h 
Colégio Marista 
SGAS 615 CONJ C - ASA SUL - Brasília/ DF 


 
Você
Sabia?

ue o comportamento homossexual é muito mais natural do que se pensa??

O famoso Dr. Kinsey, autor de "Sexual Behaviour of the Human Male" - estudo que tem fundamentado tudo o que se diz sobre sexualidade masculina desde meados do século passado - afirma em seu livro que o motivo pelo qual homofóbicos se opõe a homossexualidade é bem simples: o medo do crescimento da atividade homossexual. Conclui o Dr. Kinsey que com menos homofobia haveria muito mais homossexualidade. Ao se remover a pressão social que reprime a atração pelo mesmo sexo, o desejo homossexual cresceria e se espalharia naturalmente em larga escala. 

Por outro lado, a heterossexualidade parece estar em baixa: os vultosos recursos investidos pela sociedade e a mídia na promoção da heterossexualidade (vide comerciais de cervejas a bancos) só pode levar a crer que essa é uma orientação pouco atrativa, e que a população tem que ser constantemente bombardeada com os valores heterossexuais para poder se manter nesse rumo...

(Fonte: MiX Brasil)
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