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Nesta edição:
- Até quando seremos espancados e mortos?
- GRUPO E-JOVEM é eleito para o Conselho Nacional de Juventude
- Insulto gay nas escolas "é como racismo"
- News: as últimas notícias GLTTBs do Brasil o do mundo
 
Até quando seremos espancados e mortos?
A recente onda de violência homofóbica contra adolescentes não pode cair no esquecimento

Deco Ribeiro

O ano de 2007 terminou trazendo à tona a violência e a discriminação a que estão sujeitos adolescentes e jovens GLBTs. Mais do que apenas noticiar, o GRUPO E-JOVEM apresenta esses três casos como exemplares e representativos de muitos outros que com certeza ocorrem todos os dias. Três casos distintos. Três mortos e um ferido. 

O caso Ferrucio
O estudante de 19 anos Ferruccio Silvestro (foto) teve o rosto desfigurado por três agressores na madrugada do dia 30 de novembro, sexta-feira, na Praça Leoni Ramos, em São Domingos, Niterói, na Região Metropolitana do Rio, depois de sair de uma boate GLS com um grupo de amigos. O jovem registrou o caso na 76ª DP (Niterói), depois de ficar internado por quatro dias no Hospital Universitário Antônio Pedro.

Ferruccio contou que, na saída da boate, foi abordado por um grupo de rapazes com xingamentos. Sentindo que eles queriam arrumar confusão com alguém, o jovem contou ter ficado com muito medo e decidiu fugir da situação.

“Lá é um ponto GLS. Se eles são hetero e invadem esse espaço, é porque estavam querendo arrumar briga. Corri muito, uns 400 metros da boate até um posto de gasolina. Lá pedi ajuda a um motorista de kombi e ele me disse pra eu sair sozinho da confusão que eu arrumei. Tentei me esconder numa parte do posto em obra, mas eles me acharam e começaram a bater. Só lembro depois de acordar no hospital”, relatou o estudante.

Três contra um
A vítima contou ainda que um dos agressores usou uma moto na perseguição e que havia umas cinco pessoas no posto onde foi espancado, mas ninguém ajudou. 

“Quero muito que eles sejam encontrados. Quero que as pessoas tenham liberdade pra sair. Eles eram três, nem eram tão fortes, mas eu era só um. Tinham entre 18 e 25 anos”, contou a vítima.

Ferruccio ficou cheio de hematomas no rosto (foto, estampada na capa do jornal Extra, do Rio) e teve um coágulo na cabeça, mas não deve ter seqüelas. O jovem, que está fazendo cursinho para prestar vestibular para o curso de comunicação social, além de sentir muitas dores, está se sentindo muito desanimado.

“É a primeira vez (que sofro agressão), em um ano de assíduas saídas. Não estou conseguindo sair de casa, não tenho a mínima vontade de fazer nada. Achei que isso nunca iria acontecer comigo”, contou ele.

Intolerância
O delegado Mario Azevedo considera que o caso é mais um exemplo do fenômeno da intolerância no Brasil, que se manifesta nas questões raciais e religiosas, além da homofobia.

“É um fenômeno que está piorando aqui no Brasil. Nossa sociedade não se diz racista e preconceituosa, mas na verdade ela é. Vamos agir da mesma forma que no caso do casal gay agredido no dia da Parada do Orgulho Gay, em Icaraí. Iremos identificar os agressores e levá-los à Justiça”, declarou o delegado. 

Duas pessoas já foram identificadas e indiciadas pelo crime homofóbico, entre elas um adolescente de 15 anos que foi reconhecido por Ferrucio.

Michael, 14 anos
O estudante Michael Anderson Jesus Trindade Santos, 14 anos, foi brutalmente assassinado a golpes de marreta e teve o órgão genital decepado, na tarde do dia 27 de dezembro, numa residência do bairro da Boca do Rio, em Salvador. Ele foi encontrado despido, amordaçado e com as mãos e os pés amarrados numa cama. Ao seu lado, havia dois bilhetes escritos pelo assassino, o camelô Wander Santos Bonfim, 30, proprietário do imóvel, que está foragido. Em um deles, o criminoso pede perdão à mãe da vítima.

À frente das investigações, o delegado Jair Gomes da Silva Júnior, plantonista da 9ª Delegacia (Boca do Rio), acredita que o crime foi motivado por ciúmes, já que os dois mantinham um relacionamento amoroso. Informações não confirmadas indicam que Wander estaria escondido na casa de parentes, no município de Santo Antônio de Jesus. Em depoimento na 9ªDP, a faxineira Fernanda Maria Rosário de Jesus, mãe de Michael, contou que o viu pela última vez por volta das 11h. Moradora do bairro, procurou por ele em alguns locais que costumava freqüentar e não teve êxito. Pouco depois das 16h, recebeu uma ligação de Wander informado que o estudante estava em sua casa.

Ela rumou para o imóvel, localizado numa avenida de casas na Rua Hélio Machado, acompanhada do marido, o taxista Jaime Trindade dos Santos Filho, e encontraram a porta trancada. Já temendo o pior, Jaime arrombou a porta. Os dois subiram até o segundo andar da residência, onde ficaram chocados ao se deparar com Michael morto sobre a cama no único quarto do imóvel. 

Bilhetes
Instantes depois, agentes da 9ªDP, sob o comando do delegado Jair Gomes, entraram na residência e encontraram ao lado do corpo, que apresentava profunda lesão na cabeça, uma marreta e uma faca de cozinha. De acordo com peritos do Departamento de Polícia Técnica (DPT), Michael levou uma marretada na altura do crânio e posteriormente, desfalecido, foi despido, amarrado e amordaçado. Em seguida, capado com a faca.

A polícia encontrou ainda dois bilhetes sobre uma mesa de um computador, um deles assinado por Wander com a seguinte mensagem: “Fernanda me perdoi (sic) mas Michel (sic) brincou demais”. Já no outro, Wander expunha seus sentimentos em relação à vítima: “Amava Michel (sic) demais”. Os pais do adolescente disseram ao delegado que o filho teria sido atraído para o local e depois morto por não aceitar se envolver com o criminoso. Acrescentaram ainda que o autor tinha o hábito de receber vários rapazes em sua casa.

Duas travestis
Duas travestis foram mortas a tiros  na Taquara, em Jacarepaguá, Zona Oeste do Rio, na madrugada do dia 29 de dezembro. 

Segundo a PM, os crimes aconteceram em lugares diferentes do bairro, um na Rua Atituba e o outro na Estrada dos Bandeirantes, e foram praticados por criminosos que estavam em um Pálio de cor cinza. 

A primeira vítima foi identificada como Maicon Teixeira Karan Mendes, 20 anos, que morreu na Rua Atituba (foto). Ela chegou a ser levada para o Hospital Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca, também Zona Oeste, mas não resistiu aos ferimentos. 

O outro corpo, ainda não identificado, foi encontrado pela polícia na Estrada dos Bandeirantes, com diversos tiros.

Segundo a polícia, os criminosos do Pálio fugiram. O caso foi registrado na 32ª DP (Jacarepaguá). 

E daí?
Ferrucio, 19, Michael, 14 e Maicon, 20, eram adolescentes bem diferentes - mas todos foram vítimas do preconceito.  E, claro, não são os únicos. 

Quantos de vocês - ou amigos de vocês - já não tiveram de correr de skinheads pra não apanhar? Em Campinas e em São Paulo, isso acontece direto. Quantas travestis não ficam expostas nas ruas, a mercê dos homofóbicos - e são zoadas, espancadas, alvejadas e mortas? Quantos jovens, como Michael, não são obrigados a ter relacionamentos Às escondidas por medo da intolerância da família e dos amigos, e acabam se colocando em situações de risco que podem levar a mais violência - e morte?

E pior: o que a gente faz a respeito? Você acaba de ler uma matéria como essa - e faz o quê? Desliga o computador e vai pra balada? Consegue dormir tranquilo?

Nós não. E é por isso que em 2008 o GRUPO E-JOVEM vai às ruas gritar, espernear, bater panela e exigir que os adolescentes gays sejam respeitados - e que casos como estes não sejam esquecidos. Mas, pra isso, sua participação é importante. Vamos mobilizar toda a rede de grupos E-jovens para que cada caso desse tipo, onde quer que aconteça, seja encontre gente cobrando soluções e pressionando o poder público. Vamos aos jornais, às ruas, às prefeituras.

E contamos com você. Basta digitar seu mail abaixo e clicar na figura do Yahoo Grupos!


Ou acesse a nova coluna Revolução!e veja outras formas de participar.

(com material do G1 e do Correio da Bahia)


GRUPO E-JOVEM é eleito para o Conselho Nacional de Juventude

O GRUPO E-JOVEM de Adolescentes Gays, Lésbicas e Aliados foi eleito nesta segunda-feira para ocupar a cadeira reservada a Movimentos Nacionais GLBTs do CONJUVE, o Conselho Nacional da Juventude. A vaga, que era ocupada apenas pela ABGLT, será agora compartilhada pelas duas entidades no biênio 2008-2009. 

A principal função do Conselho é assessorar o governo federal na condução de políticas públicas para a juventude. "E agora a Juventude GLBT entra em pauta!", comemora Deco Ribeiro, presidente do GRUPO E-JOVEM. "Para nós, claro, esse reconhecimento como entidade, rede e movimento nacional só vem coroar um trabalho de formiguinha, muito silencioso, mas com resultados. Agora é ajudar o presidente Lula a aperfeiçoar suas políticas públicas para adolescentes e jovens GLBTs." 

No mês passado o E-JOVEM já tinha garantido também uma vaga na Comissão Organizadora da I Conferência Nacional GLBT, que irá ocorrer de 9 a 11 de maio, em Brasília. Para Thaís Rodrigues, que participou da eleição do CONJUVE como coordenadora do E-BRASÍLIA, o Grupo E-jovem na Capital Federal, o momento agora é de trabalho. "Vamos lutar pela realização de muitas Conferências Municipais, Estaduais e partir pra Conferência Nacional," afirma a militante. "Em 2008/2009 a juventude GLBT será definitivamente colocada no mapa." 

O eleito para representar os adolescentes e jovens GLBTs foi Felipe Andreas Guedes, do E-BRASÍLIA.


Insulto gay nas escolas "é como racismo"
Graeme Wilson, correspondente político 
Crianças que xingam os colegas de "gay" ou "viado" devem ser tratadas como racistas, afirmou o novo ministro da Infância da Inglaterra.
 
Kevin Brennan, um ex-professor, disse que novas orientações seriam enviadas às escolas estabelecendo que o bullying (agressões físicas e/ou verbais entre alunos, geralmente de um "valentão" contra crianças menores ou mais fragilizadas) homofóbico deve ser punido da mesma maneira que o qualquer agressão racista em ambiente escolar. 

Ele compeliu os professores a fazer mais para ajudar e apoiar alunos que podem mestar "incertos sobre sua sexualidade" e argumentou que aqueles que falham em lidar com o bullying homofóbico são cúmplices da violência. Segundo ele, as escolas também precisam desenvolver uma "cultura de maior apoio a alunos gays e lésbicas". 

 
Em discurso ao grupo de direitos gays Stonewall, Brennan disse: "Assim como levou vários anos para que as leis de igualdade racial penetrassem em nossa cultura e tornassem o linguagem racista inaceitável, temos que conseguir o mesmo com a linguagem homofóbica."
 
"Precisamos criar uma cultura onde o bullying homofóbico seja tão impensável quanto o bullying racista. Essa cultura precisa se espalhar por toda a nossa sociedade, mas acredito que as escolas sejam o lugar certo para começar."
 
O ministro deu como exemplo o radialista Chris Moyles, da BBC Radio 1, que foi criticado por ter utilizado a palavra "gay" para descrever algo como "lixo".
 
"Isso acaba sendo muitas vezes visto como uma fala inocente em vez do insulto ofensivo que realmente representa," disse o ministro. Ele pediu para que as escolas façam muito mais para enfrentar as questões que dizem respeito à homossexualidade, tanto em sala de aula quanto no intervalo.
 
Brennan afirmou que os professores devem ir além de simplesmente implantar um "método de tolerância zero ao bullying homofóbico" e tentar impedir que a intimidação e o abuso ocorram, antes de mais nada. 
 
Isso pode ser feito adaptando o currículo para ensinar às crianças a "importância da igualdade e diversidade, de uma forma apropriada às suas idades". Ele disse que as aulas também deveriam procurar refletir "nossa visão inclusive de sociedade."
 
As escolas poderiam usar as já existentes aulas de educação pessoal, estudos sociais e educação de saúde para tocar no assunto do bullying homofóbico.
 
Brennan afirmou: "A erradicação da discriminação entre nossos jovens é a minha maior prioridade. Bullying não é simplesmente uma fase do crescimento. Vergonha, indignidade e humilhação na escola e algo que nenhum jovem deveria ser obrigado a enfrentar."
(do jornal The Telegraph (Inglaterra)
tradução: Deco Ribeiro)

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Você
Sabia?

ue o comportamento homossexual é muito mais natural do que se pensa??

O famoso Dr. Kinsey, autor de "Sexual Behaviour of the Human Male" - estudo que tem fundamentado tudo o que se diz sobre sexualidade masculina desde meados do século passado - afirma em seu livro que o motivo pelo qual homofóbicos se opõe a homossexualidade é bem simples: o medo do crescimento da atividade homossexual. Conclui o Dr. Kinsey que com menos homofobia haveria muito mais homossexualidade. Ao se remover a pressão social que reprime a atração pelo mesmo sexo, o desejo homossexual cresceria e se espalharia naturalmente em larga escala. 
Por outro lado, a heterossexualidade parece estar em baixa: os vultosos recursos investidos pela sociedade e a mídia na promoção da heterossexualidade (vide comerciais de cervejas a bancos) só pode levar a crer que essa é uma orientação pouco atrativa, e que a população tem que ser constantemente bombardeada com os valores heterossexuais para poder se manter nesse rumo...

(Fonte: MiX Brasil)
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