Nesta semana:

* Assumida desde os 13
* Minhas experiências

Assumida desde os 13

por Ashleigh, 15 anos
de São Paulo (SP)

Como iniciar a primeira coluna? Não tenho experiência alguma, mas vou tentar controlar o medo das primeiras palavras.

Me apresentar? 15 anos... Assumida desde os 13. Feliz sim por não viver mais dentro de uma caixinha de boneca fingindo ser uma personagem falsa para a minha própria família.

Como as primeiras duvidas são tão cruéis, nos tiram noites de sono... Tantos pensamentos dentro de uma única mente confusa e com medo:

Ser ou Não Ser?

O que a minha família vai pensar?

O que os meus amigos vão achar?

Como a minha vida vai ser se eu realmente gostar de meninas?

Mas eu nem gosto é apenas amizade mesmo... Não é?

Mas não paro de olhar para as meninas do meu colégio e para as minhas amigas... Deve ser apenas amizade ou isso se chama “ATRAÇÃO”?

Mas que palpitação forte dentro do meu peito, um calafrio estranho, um arrepio forte quando elas chegam perto de mim com tanto carinho e atenção, sinto algo estranho que eu devo sentir por meninos, mas por meninos eu não consigo sentir absolutamente NADA, apenas vontade de jogar bola e ficar brincando com eles com aquelas brincadeiras que as meninas julgam violentas.

Escuto o papo delas sobre o que sentem pelos meninos, os desejos, as sensações e as vontades, mas eu devo ter algo de errado por sentir isso por meninAs.

Na TV dizem que o certo é meninA com menino e não meninA com meninA. Minha mãe disse que o homem foi feito para a mulher e a mulher para o homem então eu sou uma extra terrestre?

É doença... É pecado... Coisa de outro mundo... NÃO POSSO - E NÃO POSSO! - dar esse desgosto a minha mãe, mas é mais forte do que eu.

No começo são tantas dúvidas, uma decisão incerta sobre os seus desejos. O nosso próprio medo nos manipula para tentar nos afastar da nossa própria realidade, mas a nossa natureza é mais forte do que o nosso próprio medo e preconceito e nos rendemos ao que existe dentro de nós para ir de encontro com a nossa Felicidade!^^

Como a sociedade nos manipula e nos maltrata desde pequenos! Sempre demonstrando ser contra a essa coisa que eles julgam ser de outro mundo que se chama:Homossexualidade.

Mas o mundo deveria colocar a mão na consciência e saber que muitas crianças e jovens se suicidam ou mesmo enlouquecem por tanto preconceito e pressão ao redor.

Uma pequena observação: Amar é pecado? Pro amor não existe cor, raça, classe social ou sexo. Quando existe amor verdadeiro e respeito, tudo é perfeito independente de quem forem às pessoas.

Obrigada pela atenção!^^

Até a próxima...

Beijos..

Ash

 
Minhas experiências

por Dee, 15 anos
de Porto Alegre (RS)

Ano passado, 2006, foi um ano muito diferente na minha vida. 

Eu tinha 14 anos, já havia tido alguns namoros pela internet, mas sempre tive a vontade de algo real. Após o fim de desses namoros “fictícios” estabeleci que eu iria a uma festa GLS.

A festa, realmente mudou minha vida. Foi a primeira vez que eu tive um convívio com pessoas como eu, em um ambiente que naquele momento era tudo que eu precisava. Depois que comecei a freqüentar esse mesmo lugar, em festas parecidas, meu círculo social mudou muito, passei a ter muitos amigos. 

Acabei por contar para minhas colegas da minha primeira ficada, primeira vez que eu realizei algo que por muito tempo estava esperando. Hoje, com 15 anos, continuo freqüentando o mesmo lugar mensalmente, é um dos melhores dias do meu mês e o que eu mais espero, pois vou a um ambiente onde encontro iguais, e ainda arranjo umas boas ficadas.

Lembro até hoje da sensação de felicidade que eu tinha em mim quando sai do club. Aquele dia tinha sido muito importante para minha própria aceitação, e acredito que experimentar o que já se tem certeza que vai gostar é muito importante.

Com os namoros pela internet, que são assunto para todo um outro dia de coluna, tive muitos problemas. Foi por causa deles que acabei falando a meus pais, com 14 anos, que eu era homossexual. O impacto foi muito grande. Muitas coisas mudaram desde então, mas naquele tempo eles não haviam sentido na carne o que eu havia falado. Meu pai achava que era só uma idéia louca, preferia até ignorar. Minha mãe já fez um discurso que iria me aceitar de qualquer jeito mas não foi bem assim que as coisas se desenrolaram. 

Um dia após a grande festa, ela me perguntou se eu tinha ficado com alguém, e eu, sempre sem medo de nada, disse que sim, daí ela perguntou quem, eu falei que tinha sido um menino. Percebi que a expressão na cara dela não havia sido de felicidade, mas no momento ela não havia dito nada. No outro dia, meu pai escutou uma conversa telefônica minha, e fez um discurso muito agressivo, que me marca até hoje.

Bom, contei a minhas amigas também que eu estava tendo uma paixãozinha adolescente pelo primeiro cara que havia ficado. Isto tudo aconteceu no começo do ano passado e no meio do ano todos meus colegas já estavam sabendo, acho até que o colégio inteiro. Mas eu estava, e continuo estando nem aí para o que os outros pensam ou falam do que eu faço. Acredito que temos que ser felizes do jeito que nos sentimos bem, e não pelos caminhos que a sociedade nos impõe.

Ter coragem para entrar em um novo mundo, foi meu primeiro passo. Depois desse clímax com meus pais as coisas até acalmaram. Hoje eles mesmos me levam no club, claro que dão algumas limitações, mas acredito serem até um pouco normais. Não perguntam o que faço. Acredito que preferem não saber, do que saber algo que não é aceitável pela mente deles. Minha vida de adolescente, homossexual, com 15 anos na cidade de Porto Alegre é simplesmente maravilhosa. Sou feliz do meu jeito. E tenho muitas historias para contar a vocês....
 

Dee


Mais papos sobre nós:

- Sobre mim
- Minha vida na escola
- O Gay Virgem
- Meu primeiro beijo
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Leia histórias de meninos gays virgens (e alguns não mais...)


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