Editoriais
Servindo na Grécia

Hoje em dia a gente às vezes se depara com relatos de militares homossexuais que sofrem discriminação e até mesmo chegam a ser presos ou expulsos por causa disso. Isso cria uma aura de machismo em torno do Exército, da Marinha, da Aeronáutica que deixa os e-jovens de cabelo em pé: “E quando eu for me alistar? E se alguém descobrir?? E se eu não me controlar com todos aqueles soldados gostosos à minha volta???”

Bom, antes de mais nada: O que mais tem no meio militar é homossexualismo... desde as longas noites em alto-mar da marinha até os acampamentos chuvosos do exército, isso rola em todos os níveis. Ou seja, todo esse machismo apresentado pelos militares hoje é pura hipocrisia. 

Mas nem sempre foi assim. Consta nos livros de História que em Esparta, uma das Cidades-Estado mais poderosas da Grécia antiga, toda a população era treinada para servir ao exército e sua vivência era das mais duras. Dormiam no chão duro, tinham a alimentação controlada – foi daí que surgiu o termo condições espartanas, significando condições muito duras. Os bebês, ao nascer, eram deixados no alto de uma montanha, sozinhos, por alguns dias – apenas os que sobrevivessem eram considerados aptos a serem cidadãos de Esparta. 

Pois bem, no meio de todo esse rigor militar, que envolvia o cidadão espartano desde a mais tenra idade, adivinha que qualidade era mais apreciada entre seus soldados? Acertou quem disse a homossexualidade. Soldados gays e seus amantes eram considerados guerreadores de elite e estavam entre os combatentes mais ferozes de toda a Grécia. Mas como isso? Por que esse incentivo todo a soldados homossexuais? Olha só que curioso: De acordo com o pensamento da época, um soldado gay que lutasse ao lado de seu amante faria o possível e o impossível para preservar a vida de sua cara-metade e vice-versa. Ou seja, lutaria com muito mais garra que um soldado comum ao lado de meros companheiros de batalha. Faz sentido, não? 

Bom, eu tô dizendo tudo isso com um único propósito: Gente, nada a ver esse papo de barrar os e-jovens no Serviço Militar! Gays, se preciso for, lutam com tanta garra ou mais que os heteros e podem (e querem) defender o seu país se preciso for...

Afinal, lutar não é uma coisa estranha pra gente, né? Todo dia é uma luta pra quem é e-jovem... Mas é só a gente se mirar no exemplo de Esparta e cuidarmos uns dos outros que a gente vence essa batalha!! :)

Beijo do Deco :) 
Outros Editoriais:
E-jovens
E-scola - Escola
Dormindo com o Inimigo- Família
Carta a Meus Amigos - Amigos
Saindo da Net - Verão
E-jovem: A Máscara - Carnaval

Eu quero servir!

O meu interesse pelo serviço militar surgiu quando eu tinha 13 anos. Nessa época, eu não tinha noção do que eu realmente era ou viria a gostar hoje (de homens!). Pra mim, era normal e até comum eu olhar para meninos e admirá-los (eu não tinha malícia, fui criado a maior parte do tempo, dentro de casa)...

A idéia do serviço militar persistia porque eu tinha uma fantasia do que realmente é ser militar e do porquê das pessoas procurarem servir. A maior parte dos jovens que encontrei na época do meu alistamento, quase todos, tinha a mesma visão e desejo: ser um ícone da sociedade (algo que lhe dá “respeito” e “poder”); sem contar que, é algo interessante você se deparar com alguém fardado pela rua (é atraente, chamativo – eu acho); o torna o centro das atenções de certa forma. Essa era a principal idéia que me fazia investir nesse sonho! 

Com o passar do tempo (depois dos 16 anos), comecei a perceber que algo realmente estava mudando em mim e era muito sério e potencialmente perigoso, no sentido de que eu desconhecia a situação e como lidar com ela: 

Eu estava sentindo atração por meninos. 

Mas assim mesmo, eu tinha como principal objetivo, entrar para as Forças Armadas de qualquer forma. Cheguei a prestar vestibulares para a AFA (Academia da Força Aérea – onde me alistei mais tarde), e pela EPCAR (Escola Preparatória de Cadetes do Ar). São as escolas mais concorridas das Forças Armadas, e claro, não passei em nenhuma. Bom, já que meu desejo era tão intenso de ser um “herói”, um “ícone da sociedade”, aí, eu apelei para o extremo: o alistamento direto na AFA, onde eu seria recruta (a pior “patente” de qualquer instituição militar). 

Meus tão sonhados 18 anos chegaram e me alistei com a maior vontade do mundo (quero ser, e serei!). Nessa época, eu já sabia muito bem que eu tinha preferência por homens e que seria difícil conciliar o serviço militar com meus impulsos sexuais; mas, como eu estava investido, eu pensava que eu me “curaria” (deixaria de gostar de homens) ao entrar no serviço militar – doce ilusão.

Iniciei os exames médicos, e para minha “sorte” (na altura do campeonato), fui aprovado em todos eles. Agora não tinha como voltar atrás. Fiquei muito apavorado quando a notícia chegou pelo correio, do Ministério da Aeronáutica, onde dizia: “Com enorme satisfação viemos informa-lo para comparecer na Junta Mobilizadora da Aeronáutica onde vc será integrado às Forças Armadas”. E mais: “O não comparecimento, implicará em reclusão por descumprir com as leis”... bla... bla... bla...

Nessa hora bateu um arrependimento extremo - e se eles descobrissem mais tarde sobre minha opção sexual? - e eu fui quase que aos berros para Pirassununga (Base da Aeronáutica). Apresentei-me como os conformes (de mala e cuia, porque eu iria passar uma fase de adaptação (40 dias sem ir pra casa – pra ver se o candidato agüenta mesmo - imaginem o que pode acontecer nesses 40 dias!); mas, após todo o pessoal reunido e concentrado, veio o Sargento com uma notícia que ninguém imaginava – a dispensa de todos os candidatos (aproximadamente uns 400 rapazes), porque não haveria alojamento para todos e as Forças Armadas estavam com problemas no orçamento. A maior parte dos rapazes que ali estavam, ficaram aborrecidos e muito decepcionados com a notícia. Sinceramente, nunca me senti tão leve na minha vida como naquele momento...

Sabe, nem imagino o que poderia ter acontecido se eu tivesse ficado por lá. Acredito e tento imaginar que faria o máximo para sair após os 40 dias, mas se não saísse, eu teria que encontrar alguma maneira de me adaptar e fazer o melhor de mim para não ser descoberto (que seria um desafio dificílimo). 

Tipo... Eu queria servir, manja? Mas não sabia como seria recebido lá dentro, sendo gay e tal... Então no final das contas acabei ficando aliviado de ter sido dispensado. Ridícula essa pressão em cima do soldado homossexual - nós queremos sim ter o direito de servir à Pátria como qualquer garoto hetero! E nossa orientação sexual não é impecilho algum...

É isso...

DU
Limeira

Outros Temas:
E-jovem.com? - E-jovens
Gay na Escola? - Escola
Para os Pais - Família
Quando contar? - Amigos
A Boa do Verão - Verão
Bunda!!! - Carnaval

Principal | Tema | Fun | Colunas | News | Forum | Apoio | Equipe
© Copyright E-jovem.com 200/20021. Todos os direitos reservados.
Ter seu nome e/ou imagem publicados neste site não indica necessariamente orientação sexual.
webmaster@e-jovem.com
Clique para o tema desse męsClique e divirta-se!Clique e confira as novas colunasClique para visitar o forum de depoimentosClique e confira a reportagem do męsClique para encontrar endereços e telefones úteis