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O Nascimento do Programa Escola Jovem (PEJ) Julho de 2005 Deco Ribeiro Caro amigo, apresento-lhe nosso filho mais querido. Aqui, nos próximos textos e páginas estão as armas que serão utilizadas por todos os grupos E-jovens do Brasil na primeira batalha da guerra contra a homofobia, o machismo e a hebifobia* nas escolas. É engraçado lembrar como tudo começou... No início tínhamos uma idéia confusa, um rascunho de um projeto, algumas ações isoladas que poderiam melhorar substancialmente a vida de alunos gays, lésbicas, trans e bissexuais. Afinal de contas, a escola deve ser o ambiente mais seguro do mundo - e não uma armadilha de pessoas preconceituosas violentando jovens que nem bem entendem ainda o que está se passando com seus corpos, seus hormônios, seus desejos. Hoje temos o projeto pronto. Todas as ações planejadas foram interligadas em um só programa, que prevê atividades constantes para diminuir a discriminação, ao longo de todo o ano letivo. Após um período de adaptação de três anos, cada escola que implantar o programa terá capacidade até de criar suas próprias ações e atividades de combate à homofobia. Você verá que o processo em si é maravilhosamente descomplicado – e eu digo “maravilhosamente”, porque ao mesmo tempo em que é fácil de aplicar, ele é extremamente poderoso em atingir seus – nossos – objetivos. Se a homofobia fosse uma doença, o surgimento do PEJ equivaleria praticamente à criação da aspirina: simples e eficaz. Sem falsa modéstia. A experiência e a participação de todos os e-jovens foi - e está sendo - essencial para que terminássemos essa versão final do projeto. Nós fomos em algumas escolas, fizemos palestras, exibimos vídeos, conversamos com professores, pais, alunos, participamos de fóruns, fizemos apresentações em powerpoint para auditórios lotados. E acho que conseguimos. É assim que o E-jovem é feito: um pouquinho daqui, um pouquinho dali, um pedacinho de Campinas, outro tantinho de São Paulo, uma pitada do que rola no Sul, um aroma do Nordeste, uma gotinha de Brasília - e a gente vai criando algo novo e revolucionário. E agora? Agora é trabalhar. Já sabemos o QUÊ fazer, só falta o COMO. Precisamos contactar escolas, educadores, financiadores, voluntários, etc, etc e etc. Claro - os grupos E-jovens de todo o país já estão enlouquecidos com esse projeto desde o começo do ano e toda a ajuda será bem-vinda. São Paulo, Campinas, Indaiatuba, Guarulhos, Santos, Curitiba, Porto Alegre, Cruz Alta, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Salvador e Recife já têm ou estão montando núcleos de E-jovens voluntários - que tal fazer parte??
É assim que se faz Revolução!! Deco Ribeiro é fundador do site E-jovem.com * hebifobia
(aversão
a adolescentes): sentimento de que todo adolescente é idiota e não
sabe o que faz. Neologismo
criado por Deco Ribeiro a partir da observação do comportamento
de muito "adultos"...
Programa Escola Jovem (PEJ) NOTA: Originalmente, o PEJ foi pensado para agir junto a um ambiente de ensino médio. Pensávamos, no começo, que entre os 16 e os 18 anos os jovens teriam a maturidade suficiente para lidar com e compreender melhr estes assuntos ligados à diversidade sexual. Mas certas variáveis – como a entrada precoce dos jovens na vida sexual (por volta dos 14 anos), o medo precoce da rejeição (que faz meninos gays de 12 anos apenas já tentarem o suicídio) e, principalmente, nossas boas experiências em escolas de 5a à 8a série – nos fizeram crer que talvez o projeto também sirva para o ensino fundamental. Acho que isso só nos abre mais ainda o leque de escolas a procurar, nas quais trabalhar. Ao mesmo tempo, faculdades já nos procuraram com a intenção de saber mais sobre o projeto. A comparação dos efeitos do PEJ em jovens a partir dos 12 anos, a partir dos 15 e a partir dos 18 só poderá ser feita, de qualquer forma, no futuro – no mínimo a partir de 2008 ~ Deco =] O Programa Escola Jovem (PEJ) consiste em um plano de ações a serem desenvolvidas no ambiente escolar, por educadores ligados ao movimento GLA – um avanço do movimento gay -, um movimento de gay, lésbicas e aliados: sejam eles bissexuais, travestis e/ou heteros. Segundo o Grupo E-jovem, este seria o único movimento capaz de causar alguma mudança significativa na sociedade, por ser um genuíno microcosmo desta. A justificativa óbvia de um projeto como este são as crescentes manifestações de homofobia presentes ao nosso redor. Seja entre amigos, na escola ou até mesmo em suas próprias casas, jovens homossexuais vêm sofrendo (e morrendo) em silêncio ao longo dos anos, sem que nada fosse feito – a despeito de recomendações de ONGs de Direitos Humanos e até da própria UNESCO, que finalmente se posicionou sobre o tema em 2004.
Duração
do programa: 3 anos
Os 6 Pontos
(1) Palestras ~ Com a participação de profissionais de diversas áreas, o Grupo E-jovem pretende realizar palestras junto a professores, funcionários, pais e alunos da escola, abordando a diversidade sexual e como isso afeta os alunos dentro e fora de sala de aula. Serão convidadas pessoas com experiência comprovada no assunto, dentre membros do Grupo E-jovem, militantes GLA e especialistas em diversas áreas. (2) Bate-papo ~ Uma das principais metas do Grupo E-jovem é romper as barreiras existentes entre os jovens, sejam eles hetero, homo, bi, travestis ou transexuais. A questão da identidade de uma pessoa vai muito além do seu desejo sexual e o propósito desta atividade é justamente mostrar isso. É comprovado empiricamente que muitas pessoas que eram preconceituosas ou até homofóbicas deixaram de sê-lo ao travar um contato maior com a questão da diversidade sexual – seja descobrindo que um parente é gay ou mesmo fazendo amizade com alguém de orientação sexual diferente da sua. Preconceito é ignorância, é falta de conhecimento. A proposta é levar garotos e garotas homo e bissexuais (e, porque não, transexuais) às escolas, simplesmente para bater-papo com os alunos heterossexuais, com a intençao de que os jovens conheçam mais a realidade uns dos outros e percebam que essas diferenças são muito construídas, mas que, em sua essência, todos os tipos de adolescentes passam pelas mesmas questões, os mesmos dilemas, as mesmas situações pelas quais passa um jovem em crescimento. (3) Cartazes ~ Enquanto palestras, vídeos e bate-papos são instrumentos bem mais profundos de discussão, estes elementos carecem de um certo alcance – uma vez que só participa destas ações quem efetivamente se desloca até o local onde elas acontecem, à sala, ao auditório. Essa carência é suprida, em parte, pela ação de cartazes. Como instrumento audiovisual, e bem posicionado, um cartaz pode atingir toda uma escola de uma só vez, causando um impacto maior, em menos tempo. Mesmo na falta de quaisquer das propostas delineadas aqui, um cartaz no mínimo serve para o Grupo E-jovem abrir o diálogo sobre diversidade dentro da escola e dar espaço para se aferir as necessidades de cada comunidade estudantil, aplicando o melhor plano de ação. (4) Teatro ~ Todas as questões acima podem muito bem ser adaptadas para o trabalho junto a um grupo de teatro – seja algum já existente na escola ou que porventura venha a ser criado para este fim. Unindo conscientização a uma atividade divertida, o conceito de diversidade sexual pode ser passado aos alunos literalmente pelos próprios alunos, com sua própria linguagem, causando uma identificação imediata. Grupos de teatro de fora da escola, na ausência efetiva de um grupo interno, podem ser convidados a apresentar-se no estabelecimento – inclusive levando técnicas pouco usuais, como Teatro do Oprimido ou RPG.
(6) Aliança ~ O conceito de uma Aliança GLA (Gays, Lésbicas e Aliados) vem das norte-americanas GSA (Gay-Straight Alliance – Aliança Gay-Hetero) e está sendo implantado, pela primeira vez no Brasil pelo Grupo E-jovem. Trata-se de grupos de alunos dispostos a trabalhar em conjunto pela melhoria do convívio entre hetero, homo, bi, travestis e transexuais – independente de suas próprias orientações sexuais. Uma espécie de ‘grêmio gay’ dentro da escola, às Alianças caberá o papel de dar continuidade às propostas acima, bem como de promover outros eventos que possam contribuir para a diminuição do preconceito no ambiente escolar, perpetuando o ambiente seguro e saudável para os adolescentes sexualmente diversos, os E-jovens, contando inclusive com o apoio de alunos heterossexuais, que deixam de ser meros simpatizantes para ocupar seu lugar nessa transformação, como os Aliados propriamente ditos. Essas são as ações. Se você se interessou, estamos disponibilizando o Programa na íntegra, pronto para ser aplicado em qualquer escola. Basta clicar no doc abaixo. Mas o programa funcionará bem melhor se for aplicado com o nosso acompanhamento, portanto, procure-nos JÁ! Mesmo se sua cidade não foi listada ali em cima como sede de um grupo E-jovem, escreva para nós - quem sabe você não tem o que é preciso para montarmos um E-grupo na sua região?? =) Grupo E-jovem Outros temas: Vida Real
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